Ouvindo...

Times

Torresmo, cachaça, cerveja e copo Lagoinha pesam na hora de cliente escolher bar em BH, mostra pesquisa

Tese de doutorado defendida na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta elementos autênticos nos bares e botecos da capital mineira

O tradicional torresmo, o copo Lagoinha, a velha e boa cachaça, a cerveja gelada e a hospitalidade estão entre os elementos que pesam na hora de o cliente escolher um bar em Belo Horizonte. É o que aponta tese de doutorado defendida na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pela jornalista e pesquisadora Geórgia Caetano de Oliveira dos Santos, de 46 anos.

No estudo, a pesquisadora buscou compreender a autenticidade dos estabelecimentos e a nostalgia despertada nos fregueses por meio de diferentes elementos.

“Comecei a fazer essa pesquisa em 2019, quando Belo Horizonte foi considerada Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco. E nada é mais representativo da gastronomia de BH do que os tradicionais bares e botecos da cidade”, diz a jornalista, que também é doutora em administração. Na primeira parte da pesquisa, Geórgia identificou elementos autênticos e não autênticos dos bares da capital, ‘para entender a motivação dos consumidores que são tão representativos para a cidade’.

O dado mais recente divulgado pela Prefeitura de BH aponta que em 2017 havia 9,5 mil bares na capital, o que representa 28 estabelecimentos a cada quilômetro quadrado.

Geórgia aponta outros elementos autênticos dos bares que pesam na escolha de um bar: a estufa para armazenar comidas, a decoração, o bolinho de carne, mesas e cadeiras nas calçadas, a relação entre os clientes e os temperos simples e tradicionais.

“Isso é muito característico dos bares de Belo Horizonte. Geralmente, as pessoas costumam voltar aos mesmos bares, o garçom chama os clientes pelos nomes, oferece aquilo que ele gosta, detalha a temperatura da cerveja que está mais gelada. Isso é muito típico de BH”, destacou a pesquisadora.

A pesquisa

Geórgia investigou as características de bares e botecos da capital que possibilitam o resgate de memórias afetivas. O estudo reuniu percepções de 17 entrevistados, entre cozinheiros, historiadores, chefes de cozinha, donos de bares e consumidores a respeito do que consideram autêntico nesses espaços e de como os frequentam.

A tese, defendida em novembro de 2022 na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, sob orientação da professora Juliana Maria Magalhães Christino, reúne resultados que também podem ser aplicados por gestores dos estabelecimentos para a criação de estratégias de marketing que atraiam e fidelizem clientes.

A pesquisa destaca o que o público frequentador espera e gosta de encontrar nesses espaços e evidencia a importância deles para a formação de novas relações e a construção de uma identidade coletiva. Geórgia diz, por exemplo, que tira-gostos tradicionais, como o torresmo de barriga, podem ser encontrados em vários estados do Brasil, mas ressalva: “Com o sabor, qualidade, carinho no tempero igual ao de Minas Gerais é difícil de encontrar. Além da hospitalidade. O bar é um lugar essencial para a gente fazer amigos”.

Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.
Leia mais