Conheça a história do Circuladô, bloco que une música, teatro e crítica social

O cortejo será realizado no dia 8 de fevereiro, na Avenida Afonso Pena, e contará com mais de 500 integrantes com batuque

O Bloco Circuladô desfilou no Carnaval de BH em 2025, promovendo uma celebração cênico-musical com ritmos variados e performances artísticas, refletindo sobre o tempo e a história

Música, dança e teatro: tudo junto no primeiro bloco cênico de Belo Horizonte, o Circuladô. Fundado e regido pelo maestro Di Souza, o grupo nasceu da união de dois projetos culturais consolidados da capital — a Percussão Circular e o grupo teatral Parangolé Arte Mobilização — e se destaca pela proposta de intervenções cênicas ao longo do percurso e por uma bateria afiadíssima formada por mais de 500 pessoas.

Quem já foi sabe da emoção; quem ainda não conhece tem um bom motivo para ir ver: no dia 8 de fevereiro, no pré-Carnaval, a Avenida Afonso Pena, no Centro, se transforma em um verdadeiro palco.

“É uma convergência de todas as expressões artísticas dentro de um mesmo caldeirão carnavalesco. Essa é a essência do bloco e o que o diferencia de outros na cidade”, afirmou Di Souza, um dos músicos precursores da festa belo-horizontina. Neste ano, ele integra oito blocos: Então, Brilha!, É o Amô, Abre-te Sésamo, Volta Belchior, Havayanas Usadas, Swing Safado e Ori Samba.

Embora o Circulado tenha surgido oficialmente em 2019, ele carrega a bagagem histórica. O Grupo Parangolé foi criado em 1999 por Rodolfo, Lucílio Gomes, Sandra Albéfaro e Fernanda Macruz, a partir de um espetáculo sobre a importância do Rio São Francisco, apresentado em cidades ribeirinhas.

Inspirada nos “Parangolés” de Hélio Oiticica, a companhia se aproximou dos movimentos sociais e consolidou uma trajetória marcada pela defesa do meio ambiente e dos direitos humanos.

Com mais de cem produções, entre peças, intervenções e outras linguagens, o grupo mistura teatro, música, cordel, bonecos e elementos da cultura popular, com destaque para montagens de teatro de rua.

O Bloco Circuladô desfilou no Carnaval de BH em 2025

Com quase 20 anos como professor, Di Souza criou um modelo próprio de regência que hoje organiza a execução das baterias na cidade, por meio de códigos que conduzem grandes cortejos.

Há 13 anos, fundou a Percussão Circular, maior escola de percussão da cidade, responsável pela formação de milhares de batuqueiros que integram os mais diversos blocos carnavalescos.

“O bloco nasceu da vontade de celebrar ainda mais a diversidade do Carnaval de BH e forma pessoas que seguem para diversos outros blocos ao longo do ano”, acrescentou.

O repertório

O próprio nome faz referência à escola, ao simbolismo do circo e à proposta de circular por diferentes ritmos e linguagens. Com isso, segundo Souza, cabe de tudo um pouco no repertório do Circuladô. “Então a gente toca de Elis Regina a Wesley Safadão, de Tim Maia a Milton Nascimento e por aí vai”, explicou.Para dar conta do repertório, três baterias tocam simultaneamente.

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A primeira ala, chamada Primavera, e a terceira, Tempestade, são formadas por alunos e alunas da escola. Para este ano, a turma já está fechada. Já as inscrições para as turmas regulares do próximo ano serão abertas no próprio dia do cortejo, com prazo até 25 de fevereiro, por meio de um novo sistema online e automatizado.

Desfile deste ano

Com o tema “Fé na Festa”, inspirado na reflexão do historiador e escritor Luiz Antonio Simas — “não se faz festa porque a vida é boa, a gente faz porque não é” —, o bloco aposta no Carnaval como um gesto de resistência e uma resposta à dureza da vida cotidiana.

O cortejo terá concentração às 12h, saída às 13h e dispersão prevista para 18h.

Ao todo, cerca de 500 pessoas participam da ocupação da avenida, entre batuqueiros, músicos, atores e performers, formando uma grande engrenagem cênica em movimento.

Haverá participações especiais, que serão divulgadas em breve.

“A escolha de ir para a Afonso Pena se dá pelo fato de que somos um bloco único na cidade, com três baterias. Lidamos com uma logística que precisa de mais espaço para executar a nossa operação”, explica o maestro.

Nos anos anteriores, o cortejo passou pelas ruas do bairro Floresta, na Região Leste de Belo Horizonte. A partir de 2024, porém, a produção decidiu buscar vias mais largas para comportar o crescimento do número de foliões.

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“A gente lida com uma logística que carece de mais espaço para executar a nossa operação carnavalesca. E ocupar o centro é dizer que participamos de forma ativa da construção dessa festa”, completa.

O Grupo Parangolé Arte Mobilização realizará três intervenções artísticas ao longo do trajeto, abordando temas contemporâneos como a defesa da soberania nacional, a taxação dos super-ricos e a preservação da Amazônia.

“O público pode esperar um dos cortejos mais bonitos da história do Circuladô, preparado com muito carinho e dedicação ao longo de um ano inteiro de trabalho”, disse o maestro, sem dar muitos spoilers.

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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