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Suspeito de matar policial que investigava milícias no RJ recebia R$ 20 mil de Zinho

Vaneza Lobão, de 31 anos, foi morta em novembro do ano passado; dois subtenentes da PM foram presos sob a suspeita de envolvimento no crime

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Vaneza Lobão, cabo da PM, foi assassinada na porta de casa
Vaneza Lobão, cabo da PM, foi assassinada na porta de casa • Reprodução | Redes sociais

Segundo a Polícia Militar do Rio de Janeiro, um dos subtenentes envolvidos na morte da policial Vaneza Lobão, em novembro do ano passado, já havia sido denunciado por ter ligações com o miliciano Luis Antônio da Silva Braga, o Zinho - apontado como líder da maior milícia da capital fluminense. O militar Leonardo Vinício Affonso foi preso nessa terça-feira (6).

O relatório da investigação, ao qual a Folha de S. Paulo teve acesso, aponta que o subtenente recebia de Zinho R$ 5 mil por semana, o equivalente a R$ 20 mil por mês. O pagamento foi denunciado em 2023 e o militar foi afastado da corregedoria da corporação, onde estava lotado.

Affonso foi transferido para área de Zinho

Como trabalhava na corregedoria, Affonso dizia que poderia escolher a unidade para onde seria transferido enquanto a investigação contra ele fosse realizada. Ele acabou lotado no 27º BPM (Santa Cruz), o principal reduto da milícia de Zinho.

O coronel Elton Marques, que comandava a Delegacia de Polícia Judiciária Militar, unidade da corregedoria onde Vaneza e o suspeito trabalhavam, foi convidado para assumir o 27º BPM. Ele havia determinado o afastamento de Affonso da corporação e era conhecido pelo seu trabalho de enfrentamento à milícia na corregedoria.

Porém, ao assumir o comando do 27º batalhão, o coronel chamou Affonso para ser o seu motorista. Questionado sobre a escolha, ele disse que não iria comentar o assunto.

Suspeitos monitoravam Veneza por sistema da PM

Segundo a investigação, o suspeito fez 35 consultas no sistema interno da polícia sobre a placa do veículo de Vaneza, entre 11 de abril e 29 de novembro de 2022. Ele tinha o objetivo de monitorar a vítima e coletar informações sobre o endereço e a rotina dela. Vaneza foi morta um ano depois.

A primeira consulta teria sido feita 10 dias depois de Affonso entrar na corregedoria e após Vaneza ser apresentada para ele como uma especialista na milícia de Zinho.

O outo policial preso pela morte de Vaneza, o subtenente Wilson Sander Lima, também começou a fazer consultas sobre o carro de Vaneza no sistema. Ele entrou na polícia na mesma época que Affonso e os dois chegaram a trabalhar juntos. Lima era lotado no 31º BPM (Barra da Tijuca).

Após ser preso, ele disse aos policiais que fez as consultas para verificar informações dos carros que ficavam estacionados no pátio da unidade. O carro de Vaneza estava entre eles porque ela fazia serviços extras na unidade.

Vítima foi localizada após informar endereço verdadeiro

De acordo com a polícia, duas semanas antes de ser morta, Vaneza havia trocado de carro. Nessa ocasião, ela colocou o seu endereço verdadeiro no sistema. Os investigadores acreditam que foi através dessa informação que a policial foi encontrada e morta.

A Polícia Civil também verificou que a munição utilizada no crime era da própria PM. O estojo de pistola calibre .40 foi encontrado no local do crime. A munição foi comprada em 2009 e entregue ao batalhão onde Lima trabalhava.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.