Entenda a ação movida pelo MPDFT contra Virgínia Fonseca e quais as punições
Uma ação civil pública movida pelo MPDFT quer que Virgínia Fonseca e a empresa de apostas Blaze paguem R$ 120 milhões de indenização por danos coletivos a apostadores

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) protocolou uma ação civil pública contra a influenciadora Virgínia Fonseca e a casa de apostas Blaze. O órgão pede a condenação dos dois ao pagamento de R$ 120 milhões por danos morais coletivos. Além da remoção dos conteúdos relacionados a apostas no período da Copa do Mundo do perfil da influenciadora, sob pagamento de multa de R$ 500 mil por dia caso a ordem seja descumprida.
Entenda o caso
- A ação foi protocolada nesta quinta-feira (9);
- Segundo o MPDFT, Virgínia divulgou apostas esportivas de forma irregular e sem identificar que se tratava de publicidade;
- Uma das publicações analisadas teria sido feita durante a Copa do Mundo;
- Na ocasião, a influenciadora teria incentivado seguidores a apostar em uma partida entre Cabo Verde e Argentina dentro da plataforma da Blaze sem informar que o conteúdo era patrocinado;
- O Ministério Público afirma ainda que Virgínia recebia cerca de 30% das perdas registradas pelos apostadores que utilizavam a plataforma.
O que pede o Ministério Público
Entre os pedidos feitos à Justiça estão:
- condenação solidária de Virgínia Fonseca e da Blaze ao pagamento de R$ 120 milhões por danos morais coletivos;
- remoção imediata de todas as publicações sobre apostas feitas pela influenciadora;
- multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento da ordem judicial por Virgínia;
- redirecionamento do pagamento a realização de campanhas educativas sobre os riscos das apostas, superendividamento e direitos do consumidor, custeadas pelos réus.
Como o valor foi calculado
- O MPDFT informou que o valor da indenização foi calculado com base em 20% da receita bruta de jogos (GGR) estimada da Blaze;
- Segundo o Ministério Público, a empresa movimenta cerca de R$ 600 milhões por ano.
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O que aponta a investigação
- O parecer técnico do MPDFT analisou mais de 42 mil reclamações de consumidores relacionadas à Blaze;
- Entre os problemas relatados estão:
- retenção de saldos;
- suspensão de contas;
- dificuldades para sacar valores depositados na plataforma.
- Durante a investigação, servidores do MP criaram contas na Blaze para acompanhar o funcionamento da plataforma e monitorar campanhas publicitárias e ações promocionais;
- Para o órgão, a empresa adotava práticas consideradas abusivas, como a oferta de bônus vinculados a regras que dificultavam o saque dos valores pelos usuários;
- A ação também sustenta que a Blaze utilizava influenciadores digitais para ampliar o alcance das campanhas e estimular a adesão de novos apostadores.
O que o MP diz sobre Virgínia Fonseca
- O MPDFT afirma que as publicações da influenciadora nas redes sociais induziam seguidores a apostar sem deixar evidente que o conteúdo era patrocinado;
- Em uma das situações citadas, Virgínia teria apresentado a plataforma como uma recomendação espontânea, sem informar a existência de publicidade;
- A Blaze é investigada pelo MPDFT desde 2023, período em que operava sem autorização federal, segundo o órgão.
O que dizem as defesas
- Em nota, a defesa da Blaze informou que aguarda a citação oficial para se manifestar nos autos;
- A empresa afirma atuar em conformidade com a legislação brasileira e diz que suas parcerias comerciais seguem as normas vigentes, com foco na segurança dos usuários;
- Já a defesa de Virgínia Fonseca informou que apresentará os esclarecimentos diretamente à Justiça;
- Os advogados afirmam que ainda há diligências pendentes, como a requisição de contratos e de outras informações consideradas essenciais para o esclarecimento dos fatos;
- A defesa também nega qualquer atuação conjunta para prejudicar consumidores e sustenta que eventual responsabilização civil deve estar baseada em provas concretas.
PorItatiaia Brasília
Conteúdos produzidos pela redação de Brasília da Rádio Itatiaia



