Mulher que fingiu ser criança de 12 anos para ser adotada passará por teste de sanidade mental
Justiça determinou avaliação psiquiátrica da mulher de 37 anos presa por estelionato após se passar por menor de idade durante 14 meses e ser acolhida por uma família em Santa Catarina

A mulher de 37 anos presa após fingir ser uma criança de 12 anos em Santa Catarina será submetida a um exame de sanidade mental. A determinação foi feita pela Justiça durante audiência de custódia realizada após a prisão da suspeita, investigada pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
A avaliação, marcada para o dia 26 de junho, deverá apontar se ela compreendia os atos praticados durante o período em que manteve a falsa identidade e sua capacidade de responder ao processo penal. A medida atende ao pedido da defesa da própria suspeita, que se tornou ré nesta terça-feira (09) pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
Relembre o caso
O caso ganhou repercussão nacional após a descoberta de que a mulher viveu por cerca de 14 meses com uma família de Joinville, cidade do interior de Santa Catarina, se apresentando como uma pré-adolescente em situação de vulnerabilidade. Segundo a investigação, ela foi acolhida pelos moradores após relatar uma história marcada por abandono e dificuldades familiares.
De acordo com as apurações da Polícia Civil, a mulher conseguiu conquistar a confiança da família e passou a ser tratada como filha. Durante o período em que viveu na residência, ela sustentou a versão de que tinha apenas 12 anos e adotava comportamentos que reforçavam a personagem criada. Entre as atitudes relatadas pelos investigadores estão o uso de mamadeira, chupeta e outros objetos normalmente associados à infância. Conforme os depoimentos reunidos pela polícia, ela também mantinha uma postura infantilizada no dia a dia e disse ser diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A convivência próxima levou a família a assumir diversas despesas relacionadas à suposta adolescente. Segundo informações divulgadas pela investigação, os responsáveis chegaram a comprar canetas do medicamento Mounjaro para a mulher. O remédio, utilizado originalmente no tratamento do diabetes tipo 2, também é conhecido por seus efeitos na perda de peso. Os gastos não se limitaram ao medicamento. A família forneceu moradia, alimentação, cuidados diários e apoio emocional durante todo o período em que acreditou estar acolhendo uma criança. A polícia considera que a relação de confiança construída pela investigada foi fundamental para a manutenção da fraude ao longo de mais de um ano.
Agora, além do andamento do processo criminal, a atenção se volta para o exame de sanidade mental determinado pela Justiça. O resultado da avaliação poderá ser incorporado ao processo e ajudar a esclarecer aspectos relacionados ao comportamento da investigada durante o período em que manteve a falsa identidade. Enquanto isso, a mulher permanece presa preventivamente e o caso segue sob investigação da Polícia Civil de Santa Catarina.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



