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Cão Orelha: Justiça atende pedido do Ministério Público e determina arquivamento do caso

Laudo pericial produzido pela Polícia Científica após a exumação do corpo do animal foi determinante para o arquivamento

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Cão Orelha morreu após ser espancado
Cão Orelha • Reprodução/ Redes sociais

A Justiça de Santa Catarina determinou, nessa quinta-feira (14), o arquivamento do “Caso Cão Orelha”, que investigava o suposto espancamento de um cachorro comunitário por adolescentes na Praia Brava, em Florianópolis. A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Estado de Santa Catarina (MPSC), que concluiu que os jovens e o animal não estiveram juntos no local e no período em que a agressão teria ocorrido.

A reviravolta no caso, que começou no início de 2026, baseou-se em uma minuciosa investigação técnica promovida por uma força-tarefa do Ministério Público. O órgão analisou mais de mil horas de vídeos de 14 câmeras de segurança e cerca de dois mil arquivos digitais, incluindo fotos e dados extraídos de celulares apreendidos, além de ouvir testemunhas e os próprios jovens.

Durante o trabalho pericial, constatou-se que havia um descompasso temporal de aproximadamente 30 minutos entre os relógios das câmeras de monitoramento de um condomínio e o sistema da rua. Após a correção da linha do tempo, os investigadores constataram que o cão Orelha estava a cerca de 600 metros de distância no momento em que o principal adolescente investigado se encontrava na praia. A descoberta descartou a hipótese inicial de que ambos teriam permanecido juntos por cerca de 40 minutos.

Além da prova cronológica, o laudo pericial produzido pela Polícia Científica após a exumação do corpo do animal foi determinante para o arquivamento. O exame detalhado dos ossos revelou que Orelha sofria de um quadro grave e crônico de osteomielite — uma infecção óssea — na região maxilar esquerda, condição que justificava o inchaço em seu rosto. Os peritos não encontraram nenhuma fratura ou lesão compatível com ação humana, o que também afastou os boatos de que os jovens teriam cravado um prego na cabeça do animal. Como elemento complementar sobre a situação de vulnerabilidade sanitária na região, a investigação apontou que a cadela "Pretinha", companheira de Orelha, morreu por doença do carrapato poucos dias depois.

O caso havia tomado grandes proporções após o porteiro de um condomínio enviar áudios e fotos em um grupo de WhatsApp de vigilantes, acusando os adolescentes residentes no local pelo espancamento. A denúncia viralizou rapidamente, provocando um forte "linchamento virtual" contra as famílias dos jovens, além de protestos organizados por ONGs em todo o país. Diante da repercussão, a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) ouviu mais de 20 pessoas e chegou a pedir a internação de um dos jovens, além de cumprir mandados de busca e apreensão de aparelhos eletrônicos. Paralelamente, três adultos da família dos suspeitos foram indiciados por coação, sob a acusação de ameaçarem o porteiro que deu início às denúncias.

A defesa dos adolescentes sempre sustentou a inocência dos jovens, argumentando que o cão havia sido visto caminhando normalmente após o suposto ataque e cobrando um aprofundamento das investigações por parte do Ministério Público, o que motivou o pedido de exumação. Diante do conjunto de evidências técnicas e testemunhais apresentadas no documento protocolado no último dia 8 de maio, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) acatou a justificativa de que a morte do cão Orelha — que vivia na Praia Brava há cerca de dez anos e precisou ser submetido à eutanásia em 4 de janeiro após ser encontrado debilitado — decorreu de uma doença preexistente, e não de violência humana.

Com informações de CNN Brasil

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