Missionário dos EUA e esposa viram réus após morte de filho agredido por não ter dado ‘bom dia'
Casal está preso preventivamente há cerca de dois meses; homem deve responder por homicídio doloso qualificado e tortura, já mulher é ré pela prática de tortura por omissão

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul aceitou a denúncia e tornou réus D'andre Jermaine Grayson e Mayanna Angelina Rodgers pela morte do próprio filho do casal, de três anos. A vítima, Oliver Golden Grayson, foi espancada pelo pai após não lhe ter dado “bom dia”. O caso aconteceu na cidade de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no dia 5 de julho deste ano.
Segundo a Justiça, o homem foi denunciado por homicídio doloso qualificado, no caso de Oliver, e por tortura contra ele e outros três filhos. Já a mulher é ré pela prática de tortura por omissão em relação às quatro crianças. Após pedido do Ministério Público, a Justiça determinou o arquivamento parcial do inquérito policial em relação à mulher exclusivamente no que se refere ao crime de homicídio doloso.
Ambos terão o prazo de 10 dias para responder à acusação enquanto permanecem presos preventivamente. O caso tramita em segredo de Justiça.
Relembre o caso
Oliver Golden Grayson, de três anos, morreu no dia 8 de julho deste ano após passar quatro dias internado em estado gravíssimo. A criança teria sido espancada pelo próprio pai, Dandre Jermaine Grayson, um norte-americano de 33 anos que se apresentava como missionário religioso e confessou as agressões à polícia.
Ainda de acordo com o depoimento do réu, naquela ocasião, as agressões teriam acontecido após a criança não ter dado “bom dia” ao pai. As investigações apontaram que o episódio não era isolado e a violência fazia parte da rotina da família.
A mãe da criança, identificada como Mayanna Angelina Rodgers, também foi presa, suspeita de omissão. A defesa da mulher aponta, porém, que ela também era vítima de violência doméstica por parte do marido.
Morte da criança
Após as agressões, Oliver foi levado inicialmente ao Hospital de Viamão e, devido à gravidade dos ferimentos, transferido para o Hospital de Pronto-Socorro (HPS) de Porto Alegre, onde permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por cerca de quatro dias.
De acordo com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, o pai da criança confessou ter desferido socos contra o tórax e o abdômen do filho, além de ter batido a cabeça dele contra o chão. Ainda segundo as investigações, os golpes foram tão intensos que provocaram o deslocamento do coração dentro da cavidade torácica e o achatamento do crânio da criança.
Outros filhos também foram agredidos
Os outros quatro filhos do homem, de 1, 5, 7 e 9 anos, apresentavam sinais de agressões e foram submetidos a perícias físicas e psicológicas. As crianças foram retiradas da guarda dos pais, acolhidas em abrigo e passaram a ser acompanhadas pelo Conselho Tutelar de Viamão. As investigações também revelaram que a família já havia sido alvo de registros policiais e atendimentos de conselhos tutelares em outros estados.
Registros passados mostram a ocorrência de agressões já no ano de 2024, na cidade de Águas de Lindóia, no estado de São Paulo. Na ocasião, a vítima da violência teria sido um dos outros filhos do homem, que, naquela época, estava com 07 anos de idade. Meses depois deles não terem sido localizados presencialmente para receber intimação, o processo acabou arquivado em agosto de 2025.
Família vivia no Brasil há 9 anos
O homem suspeito de agredir e matar o filho é natural dos Estados Unidos e se apresentava como missionário evangélico, embora, até o momento, a polícia não tenha confirmado vínculo com nenhuma igreja. A esposa dele e mãe das crianças, por sua vez, é japonesa.
O casal vivia no Brasil havia aproximadamente nove anos e passou por diferentes estados antes de se estabelecer em Viamão, há cerca de nove meses. Os cinco filhos do casal nasceram no Brasil e, conforme a Polícia Civil, não possuem outros familiares no país. Segundo a delegada Luana Medeiros, a família era pobre e vivia de doações e ajuda financeira de diversas pessoas da comunidade religiosa.
O casal teria dito à polícia que agia conforme a cultura e a religião deles indicava que deveria ser a correção e disciplina dos filhos, usando violências físicas e psicológicas como ferramentas de punição.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



