Belo Horizonte
Itatiaia

Alerta meteorológico: chuvas extremas de 180mm ameaçam lavouras no Rio Grande do Sul

Instabilidade deve atingir quase todo o território gaúcho a partir de quinta-feira (16), com volumes extremos de chuva e alto risco de granizo

Por
Imagem ilustrativa
Imagem ilustrativa • Reprodução/Emater

O Rio Grande do Sul está prestes a enfrentar um período de severa instabilidade climática. Entre a próxima quinta-feira (16) e a segunda-feira (20), um forte sistema meteorológico trará tempestades, granizo, ventos intensos e chuva volumosa para a maior parte do estado.

Modelos de previsão indicam uma alta probabilidade de acumulados de chuva superiores a 180 mm entre os dias 17 e 22 de julho, com projeções extremas que podem se aproximar dos 300 mm em alguns pontos. As regiões mais ameaçadas incluem a Campanha, Fronteira Oeste, Missões, Região Central, Região Metropolitana e o Planalto.

Calor extremo antes da tempestade e avanço da instabilidade

A quarta-feira (15) ainda deve registrar tempo firme, apresentando-se como a última janela de oportunidade para atividades ao ar livre e operações agrícolas. No entanto, o cenário muda drasticamente a partir de quinta-feira (16).

Uma área de baixa pressão na Argentina, somada ao Jato de Baixos Níveis (corrente de vento em altitude), transportará grande quantidade de calor e umidade para o território gaúcho. O choque térmico promete ser severo: na sexta-feira (17), as temperaturas podem ficar entre 10°C e 13°C acima da média histórica, com máximas superando os 32°C antes da chegada da chuva.

Cronograma do avanço das chuvas:

  • Quinta-feira (16): as primeiras tempestades atingem a Fronteira Oeste, Campanha e Sul (Uruguaiana, Alegrete, São Borja, Santiago, Santa Maria, Bagé, Pelotas e Rio Grande).
  • Sexta-feira (17): a instabilidade avança em direção ao Norte e Leste (Ijuí, Passo Fundo e Porto Alegre).
  • Sábado (18) a Segunda-feira (20): núcleos severos se espalham por todo o estado, com alto risco de queda de granizo e rajadas de vento.

Agronegócio em alerta: culturas de inverno enfrentam alto risco

O anúncio das tempestades acendeu o sinal de alerta para os produtores gaúchos. Até o dia 9 de julho, a semeadura das culturas de inverno estava em ritmo avançado: 87% da área prevista de trigo havia sido semeada; a canola ocupava 353.397 hectares em desenvolvimento vegetativo; e a cevada encontrava-se na fase entre emergência e perfilhamento.

O excesso de água pode causar o encharcamento do solo, que já vinha com umidade elevada, além de provocar erosão, lixiviação de nutrientes e inviabilizar o tráfego de maquinários.

Principais impactos por cultura e região

Fronteira Oeste e Campanha

  • Cultura afetada: trigo
  • Principais riscos: interrupção imediata da semeadura e da aplicação de adubação nitrogenada em cobertura

Missões e Noroeste

  • Cultura afetada: trigo e canola
  • Principais riscos: exposição de lavouras em desenvolvimento e da canola precoce (em fase sensível de florescimento) ao granizo.

Planalto e Alto Uruguai

  • Cultura afetada: trigo e cevada
  • Principais riscos: chuva acima de 100 mm pode elevar drasticamente o risco de encharcamento e proliferação de doenças foliares.

Em São Borja, por exemplo, onde 90% dos 18 mil hectares previstos de trigo já foram implantados, cerca de 30% das áreas mais precoces estão na fase de alongamento do colmo. Volumes de chuva acima de 100 mm nessas áreas elevam consideravelmente o risco de acamamento das plantas e erosão do solo.

Recomendações e medidas de prevenção

Com o fechamento da janela de bom tempo na quinta-feira, agrônomos e a Defesa Civil recomendam ações imediatas de prevenção até o início das tempestades:

  • Até quarta-feira (15): priorizar aplicações fitossanitárias indispensáveis, adubação nitrogenada, limpeza de canais de drenagem, retirada de maquinários de áreas baixas e conclusão da semeadura (apenas onde o solo oferecer condições de piso).
  • Atenção à infraestrutura: inspecionar silos, galpões, pivôs de irrigação e estruturas leves, que podem sofrer danos com as rajadas de vento e queda de granizo.
  • Durante o evento (quinta a segunda): suspender todas as operações de campo durante trovoadas, evitar o tráfego de máquinas pesadas em solo saturado e deslocar rebanhos e animais para áreas altas e abrigadas.
  • Embora a terça-feira (21) possa trazer uma breve redução na instabilidade, os meteorologistas alertam que novas tempestades podem retornar ao Rio Grande do Sul já na quarta-feira (22).
Por

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.