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Sul do Brasil entra em alerta para chuva extrema, ventos de até 130 km/h e granizo; veja quando

Meteorologistas alertam para um dos períodos de tempo severo mais ativos dos últimos anos no Sul do Brasil, Chile, Argentina e Uruguai, impulsionado por 'rios atmosféricos' e pressões atmosféricas atipicamente baixas

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A Região Sul do Brasil e os países vizinhos do Cone Sul (Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai) estão prestes a enfrentar um cenário meteorológico classificado por especialistas como complexo, severo e caótico. Nos próximos dias, a combinação explosiva de massas de ar frio e quente extremamente intensas quebrará o padrão de frio persistente que dominou a região nos últimos três meses, dando lugar a uma sequência de eventos extremos que incluem tempestades, vendavais, granizo e volumes históricos de chuva e neve.

Segundo previsões da MetSul Meteorologia, a atmosfera será desestabilizada pela atuação simultânea de diversos fenômenos de grande escala. O principal motor dessa instabilidade é a formação de dois rios atmosféricos — canais de umidade concentrada na atmosfera — que cruzarão o continente: um vindo do Oceano Pacífico em direção ao Chile, e outro ligando a Bolívia diretamente ao Rio Grande do Sul.

Alerta por região: veja o que esperar nos próximos dias

Sul do Brasil (Rio Grande do Sul e Santa Catarina):

Principais fenômenos:

  • Chuva extrema;
  • Ventos de até 130km/h;
  • Calor atípico de até 33ºC.

Impactos esperados:

  • Alagamentos;
  • Subida de rios;
  • Queda de árvores;
  • Deslizamentos.

Chile (Centro e Atacama):

Principais fenômenos:

  • Chuva de até 500mm;
  • Risco de tornados costeiros.

Impactos esperados:

  • Grandes enchentes;
  • Deslizamentos de terra;
  • Volumes equivalentes a um ano de chuva.

Argentina (Cordilheira e Norte):

Principais fenômenos:

  • Nevadas de até 3 metros;
  • Vento Zonda (> 100 km/h);
  • Baixa pressão recorde.

Impactos esperados:

  • Bloqueio de estrada;
  • Vento branco e forte vendaval na pré-cordilheira.

Uruguai e Paraguai

Principais fenômenos:

  • Tempestades severas de vento e granizo;
  • Vento Norte persistente.

Impactos esperados:

  • Danos estruturais isolados;
  • Temporais localizados.

Chuva excessiva no Chile e Rio Grande do Sul

O Chile será o primeiro grande atingido por uma sequência de frentes associadas a um "rio atmosférico" de categoria 4 (considerada extrema). Áreas do centro do país podem registrar acumulados impressionantes de 300 mm a 500 mm, provocando enchentes severas. Até mesmo o Deserto do Atacama, uma das regiões mais áridas do planeta, pode registrar entre 100 mm e 150 mm de chuva — o equivalente ao esperado para um ano inteiro ou mais. Especialistas apontam que este pode ser o maior evento de chuva em solo chileno desde as décadas de 1980 e 1990.

No Brasil, o Rio Grande do Sul é o principal ponto de atenção. A formação de uma frente quente nesta quinta-feira (16) entre o Uruguai e o território gaúcho dará início a um período de instabilidade prolongada. No fim de semana, o sistema se tornará semi-estacionário na divisa com Santa Catarina.

  • Volumes previstos: grande parte do estado gaúcho deve registrar entre 100 mm e 200 mm de chuva nos próximos sete dias, com pontos do Oeste, Centro e Sul podendo superar os 300 mm.
  • Riscos: alto potencial para alagamentos urbanos, transbordamento de rios e deslizamentos de terra.

Calor de 33°C no inverno e ventos de mais de 100 km/h

Paralelamente à chuva, o Sul do Brasil experimentará um fenômeno impressionante: uma Corrente de Jato em Baixos Níveis (JBN) excepcionalmente intensa. Esse "corredor de vento" transportará ar muito quente da Bolívia e do Centro-Oeste em direção ao Sul, impulsionado por um centro de baixa pressão profunda (de até 990 hPa) no Norte da Argentina.

A presença desse ar quente fará os termômetros dispararem em pleno julho. As temperaturas devem ficar até 10°C acima da média histórica para o mês, com máximas que podem variar entre 30°C e 33°C no Rio Grande do Sul na sexta-feira (17) e no sábado (18).

Este sistema também trará vento Norte atipicamente forte:

  • Rajadas gerais: entre 40 km/h e 70 km/h na maior parte das cidades do RS, Oeste de SC e do PR.
  • Rajadas em vales e encostas: podem atingir de 70 km/h a 90 km/h, superando isoladamente os 100 km/h em regiões como Santa Maria. Há risco real de queda de árvores, destelhamentos e cortes de energia, mesmo na ausência de chuva.

Tempestades severas e risco de tornados

O choque térmico entre a massa de ar quente e a forte massa de ar frio que começará a avançar pela Patagônia criará o ambiente perfeito para o desenvolvimento de supercélulas de tempestade.

Entre o Uruguai, o Nordeste da Argentina e o Sul do Brasil, há risco de temporais severos com queda de granizo de tamanho médio a grande, vendavais destrutivos e ocorrências isoladas de microexplosões ou tornados. No Chile, o risco de tornados e trombas marinhas também estará elevado nas regiões costeiras centrais.

Cordilheira dos Andes sob Alerta de Neve Histórica

Para quem está na Argentina, o Serviço Meteorológico Nacional (SMN) emitiu um alerta vermelho para a região da Cordilheira dos Andes. Entre os dias 15 e 20 de julho, a passagem consecutiva de frentes frias provocará nevadas históricas.

Nas áreas mais altas de Mendoza e no Sul de San Juan, o acúmulo de neve pode chegar a 3 metros. O evento será acompanhado pelo perigoso "vento branco" (nevasca com perda total de visibilidade) e rajadas que podem atingir 160 km/h nas cristas da montanha. Nas áreas mais baixas e de pré-cordilheira, a atuação do vento Zonda — um vento seco e muito quente — pode superar os 100 km/h, trazendo graves transtornos para a população local.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.