São Paulo registra aumento de estupros de vulneráveis no primeiro trimestre de 2026
Dados divulgados pela Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo apontam um aumento de dez ocorrências em relação ao mesmo período de 2025

O estado de São Paulo contabilizou 2.942 casos de estupro de vulneráveis, majoritariamente contra crianças e adolescentes, entre janeiro e março de 2026. Os dados, divulgados pela Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo, apontam um aumento de dez ocorrências em relação ao mesmo período de 2025.
Ainda segundo o levantamento, houve crescimento contínuo ao longo dos três primeiros meses do ano. Em janeiro, foram registrados 892 casos; em fevereiro, 915; e, em março, o número subiu para 1.135. Para o advogado Ariel de Castro Alves, integrante da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, os dados refletem uma escalada da violência sexual no país.
“O aumento da violência sexual em São Paulo e no Brasil tem ligação com a incitação e apologia a esse tipo de crime por meio da internet, como ocorre em grupos conhecidos como ‘red pills’”, afirmou. Apesar disso, o especialista ressalta que há maior conscientização da sociedade, o que tem contribuído para o aumento das denúncias.
Falta de delegacias especializadas
Alves também relaciona o crescimento dos casos à sensação de impunidade, destacando que muitos crimes não são denunciados e, quando chegam às autoridades, nem sempre são investigados de forma adequada. Ele chama atenção para o fato de São Paulo ainda não contar com Delegacias de Proteção de Crianças e Adolescentes (DPCA), previstas em lei desde 2017.
De acordo com o advogado, outros estados como Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal já possuem unidades especializadas, com equipes formadas por policiais capacitados, psicólogos e assistentes sociais. Procurada, a secretaria não se manifestou até a conclusão da reportagem.
Casos recentes
Um dos episódios citados ocorreu em 21 de abril, na Vila Jacuí, zona leste da capital paulista. Dois meninos, de 7 e 10 anos, foram atraídos por cinco suspeitos sob o pretexto de soltar pipa e levados a um imóvel, onde ocorreram os abusos. Um dos envolvidos, Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, foi indiciado após ser preso na Bahia e transferido para São Paulo. Segundo a Polícia Civil, ele confessou o crime. Quatro adolescentes também foram apreendidos e encaminhados à Fundação Casa.
O caso veio à tona três dias depois, quando familiares reconheceram uma das vítimas em vídeos que circulavam nas redes sociais. As crianças recebem acompanhamento médico e psicológico, sob proteção do Conselho Tutelar. Outro episódio mencionado ocorreu no Rio de Janeiro, onde uma adolescente foi vítima de estupro coletivo em Copacabana. Quatro suspeitos adultos foram presos, e um menor foi apreendido.
Campanha Maio Laranja
Desde 2022, o mês de maio é marcado pela campanha Maio Laranja, voltada ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A mobilização inclui ações educativas, campanhas de conscientização e divulgação de canais de denúncia, como o Disque 100. A iniciativa é coordenada pelo Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, em parceria com a ECPAT Brasil e outras redes de defesa dos direitos humanos. Nos estados e municípios, as ações são realizadas por comitês locais e entidades parceiras.
* Com informações de Agência Brasil
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