Perícia aponta que tenente-coronel apagou mensagens após morte de PM
Conteúdo recuperado indica brigas e contradiz versão de suicídio apresentada pelo oficial

A perícia da Polícia Civil identificou que o tenente-coronel Geraldo Neto desbloqueou e apagou mensagens do celular da esposa, Gisele Alves Santana, poucos minutos após o disparo de arma de fogo que a matou com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o marido.
Os peritos conseguiram recuperar o conteúdo deletado no telefone da soldado da PM. Gisele havia enviado mensagens ao marido afirmando, na noite anterior, que estava insatisfeita com o tratamento abusivo que vinha recebendo e queria o divórcio. Ela também teria descoberto uma traição.
Segundo a polícia, o tenente-coronel apagou mensagens de discussões intensas entre ele e a esposa. O oficial deletou o conteúdo tanto no próprio telefone quanto no aparelho da soldado Gisele. Conforme a perícia, o celular de Gisele foi desbloqueado três vezes, sendo que o último acesso ocorreu às 7h58, cerca de quatro minutos após o oficial ter ligado para o 190 da Polícia Militar e aproximadamente meia hora depois de uma vizinha ter ouvido um barulho compatível com um disparo de arma de fogo vindo de dentro do apartamento do casal.
No entendimento dos investigadores, a intenção do tenente-coronel era apagar vestígios de brigas e construir uma narrativa de que o interesse no divórcio havia partido dele. A alegação do oficial é de que a esposa teria tirado a própria vida com um tiro na cabeça após ele afirmar que gostaria de se separar. As mensagens deletadas e recuperadas no telefone de Gisele, no entanto, contradizem essa versão.
As mensagens e outras provas técnicas obtidas pela Polícia Civil descartam a hipótese de que a militar tenha atentado contra a própria vida. Na avaliação dos investigadores e do Ministério Público, o oficial atirou contra a esposa e, em seguida, tentou forjar uma cena de suicídio.
Geraldo Neto está preso preventivamente desde o dia 18 de março e responde como réu por feminicídio e fraude processual.
O oficial nega ter matado a esposa e mantém a versão de suicídio.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.
