Caso Gisele: laudo indica tiro pelas costas e encenação de tenente-coronel
Perícia aponta disparo inesperado e investiga possível tentativa de simular suicídio após morte de policial militar

Conforme a Justiça Militar do Estado de São Paulo, a investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana — encontrada com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos — aponta que o disparo pode ter sido feito pelas costas, de forma inesperada, o que teria impedido qualquer chance de defesa da vítima.
O oficial foi preso nesta quarta-feira (18), suspeito de matar a companheira. Um vídeo registrou o momento em que ele chegou a 8º Distrito Policial, na Zona Leste da capital paulista,
A conclusão consta em um laudo de reprodução simulada anexado ao processo e encaminhado à Justiça Militar. Segundo os peritos, a forma como o tiro teria ocorrido indica um alto grau de gravidade da ação, caso a hipótese seja confirmada.
Outro ponto analisado pelos investigadores é o horário do disparo. De acordo com o relato de uma vizinha, um barulho forte foi ouvido por volta das 7h28. A informação é considerada compatível com outros elementos da apuração.
A possível sequência dos fatos também levanta preocupações. Isso porque, segundo a linha investigativa, o tenente-coronel Geraldo Alves pode ter alterado a cena para simular um suicídio após o disparo.
Outro ponto considerado relevante pelos investigadores é o comportamento do tenente-coronel durante o atendimento da ocorrência. Segundo o relatório, o Geraldo Neto teria insistido em tomar banho e trocar de roupa mesmo após o início da ação. A atitude foi questionada por agentes presentes, que alertaram para a necessidade de preservar o local para a realização de perícias.
Para os investigadores, a atitude é considerada sensível, pois pode ter prejudicado exames importantes, como o residuográfico, utilizado para identificar vestígios de disparo de arma de fogo.
Registros de câmeras de segurança do condomínio também são analisados. As imagens mostram o tenente-coronel no corredor do prédio e, minutos depois, novamente ao telefone, já com os cabelos aparentemente molhados. Uma testemunha ouvida no caso afirmou ainda que a sala do apartamento não apresentava sinais de estar molhada, o que levanta dúvidas sobre a versão apresentada.
Ligação para desembargador
A Polícia Civil também apura uma ligação feita pelo tenente-coronel a um desembargador no dia do ocorrido. Segundo a investigação, o oficial entrou em contato com Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo.
O magistrado foi até o local e permaneceu no apartamento por cerca de 11 minutos. Ao deixar o imóvel, o tenente-coronel já vestia outra roupa.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.
Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.




