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Julgamento pela morte de Gritzbach é adiado para fevereiro de 2027

Sessão foi interrompida após embate entre defesa e acusação; três policiais militares seguem presos preventivamente

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O julgamento dos três policiais militares acusados de participar da execução do empresário Antonio Vinicius Gritzbach, de 38 anos, e do motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, de 41 anos, foi remarcado para fevereiro de 2027 após ser interrompido por um impasse entre defesa e acusação. O caso ocorreu em 8 de novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.

A sessão do Tribunal do Júri havia começado na segunda-feira (22), mas foi encerrada no mesmo dia pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, da Vara do Júri de Guarulhos, após a defesa dos réus se recusar a permanecer em plenário. Em decisão, o magistrado redesignou o julgamento para os dias 22 a 26 de fevereiro de 2027 e manteve a prisão preventiva dos acusados.

O conflito teve início durante o depoimento de uma testemunha da acusação, quando advogados de defesa contestaram uma pergunta feita pelo promotor Rodrigo Merli que mencionava um atentado sofrido por um dos defensores do caso. A discussão se intensificou e resultou em troca de ofensas entre as partes.

Segundo o juiz, a continuidade da sessão ficou inviabilizada diante da postura adotada pela defesa. Já os advogados negaram ter abandonado o julgamento e atribuíram a interrupção à conduta do representante do Ministério Público. Em nota, o Ministério Público de São Paulo afirmou que o júri foi encerrado em razão da recusa dos defensores em prosseguir com os trabalhos.

A suspensão do julgamento provocou indignação entre familiares das vítimas. Viúva de Celso Novais, Simone Dionízio Fernandes Novais lamentou a interrupção e relatou as dificuldades enfrentadas pela família desde a morte do motorista, que deixou três filhos.

Os réus Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues respondem por dois homicídios qualificados consumados e por duas tentativas de homicídio. A acusação sustenta que ambos seriam os homens encapuzados que efetuaram os disparos contra Gritzbach no terminal aeroportuário. O tenente Fernando Genauro da Silva também é acusado de participação no crime, apontado como responsável por conduzir o veículo utilizado na fuga dos atiradores.

As imagens do ataque, registradas por câmeras de segurança, mostraram momentos de pânico no Terminal 2 do aeroporto, um dos mais movimentados do país. Os três acusados permanecem presos no Presídio Militar Romão Gomes.

Embates marcaram o primeiro dia de julgamento

Os desentendimentos entre defesa e acusação começaram ainda durante os depoimentos das primeiras testemunhas. Em um dos episódios, o promotor afirmou que conversava com policiais para esclarecer dúvidas da investigação, declaração que gerou reação dos advogados.

Ao longo do dia, a defesa alegou ter sido desrespeitada e advertiu que deixaria o plenário caso novas situações semelhantes ocorressem. Horas depois, os defensores decidiram interromper sua participação no julgamento, o que levou ao encerramento da sessão.

Enquanto a defesa acusou o promotor de provocar os conflitos, o Ministério Público afirmou que a estratégia tinha como objetivo inviabilizar o julgamento. Segundo Merli, as testemunhas da acusação teriam reforçado os elementos que sustentam a participação dos réus no crime.

Motivação do crime

O julgamento trata apenas do núcleo responsável pela execução do atentado. Outros três denunciados continuam foragidos, entre eles os apontados como mandantes do assassinato: Emílio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como "Cigarreira", e Diego dos Santos Amaral, o "Didi".

De acordo com as investigações, Gritzbach atuava no mercado imobiliário e teria sido recrutado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para administrar recursos da facção, adquirindo imóveis em nome de terceiros e investindo dinheiro do tráfico em criptomoedas.

A relação teria se deteriorado após suspeitas de desvios financeiros. As investigações apontam ainda que Gritzbach participou da articulação do assassinato de integrantes da própria organização criminosa, o que o colocou na mira da facção.

Em 2024, o empresário firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo, no qual admitiu práticas de lavagem de dinheiro e revelou informações sobre a atuação do PCC e supostos esquemas de corrupção envolvendo policiais civis. Segundo a investigação, a colaboração teria motivado a ordem para sua execução.

O atentado ocorreu na tarde de 8 de novembro de 2024, quando Gritzbach desembarcava de uma viagem a Maceió acompanhado da namorada. Ele foi morto a tiros na área de desembarque do aeroporto. O motorista de aplicativo Celso Novais, que estava no local, também foi atingido e morreu. Outras duas pessoas ficaram feridas e sobreviveram.

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