Chileno detido por injúria racial em avião é denunciado pelo MPF
Chileno foi flagrado fazendo comentários racistas, homofóbicos e xenofóbicos dentro de um avião

O Ministério Público Federal denunciou o chileno que foi flagrado fazendo comentários racistas, homofóbicos e xenofóbicos dentro de um avião. Além disso, segundo o órgão, Germán Andres Naranjo Maldini colocou em risco a segurança de outros cidadãos e dos funcionários da companhia ao tentar abrir a porta da aeronave. O caso ocorreu no dia 10 de maio e ele está preso preventivamente desde o dia 15 de maio. Além de injúria racial, o chileno responde por ameaças dirigidas aos agentes da Polícia Federal, desacato e resistência à prisão.
Além do caso ocorrido em um voo com destino ao Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, o chileno também é denunciado por ofensas racistas contra uma copeira e uma auxiliar de limpeza que trabalhavam na sala VIP de uma companhia aérea.
No inquérito policial obtido pela reportagem, a decisão da 1ª Vara Federal de Guarulhos considerou: "A gravidade concreta das condutas imputadas ao investigado, consistentes, em tese, na prática de injúria racial e homofóbica, bem como atentado contra a segurança de transporte aéreo, praticados no interior de aeronave em voo internacional, inclusive com tentativa de abertura da porta da aeronave, circunstância capaz de colocar em risco a integridade física e a vida de múltiplas pessoas."
A decisão também entendeu que o inconformismo do acusado e o histórico psíquico defendido pela defesa não alteram os crimes cometidos.
Relembre o caso
O chileno foi flagrado fazendo comentários racistas, homofóbicos e xenofóbicos dentro de um avião. O caso aconteceu no último dia 10 de maio, quando o homem tentou abrir a porta do voo e foi impedido pelos tripulantes. Ele também imitou um macaco em direção ao funcionário da companhia aérea. O voo havia saído do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, para Frankfurt, na Alemanha.
Um vídeo, feito pelo funcionário da Latam que foi vítima, mostra as ofensas do chileno. Antes mesmo das falas racistas, ele afirma: "Ele é gay, eu não sou gay. Para mim é um problema ser gay", disse ao comissário de bordo.
Mesmo depois do funcionário questioná-lo sobre o problema de ser gay e preto, o homem afirma: "A pele preta... que mais? o cheiro de preto, o cheiro de brasileiro...". Os funcionários a bordo insistem para ele se sentar, mas o chileno rebate. "Por quê? Estou agredindo a quem? Eu não conheço ele. Você é preto, macaco...". Em seguida, o homem passa a imitar um macaco para o funcionário.
Após a comunicação formal das vítimas à PF, foi instaurado procedimento investigativo que resultou na decretação da prisão preventiva do investigado pela Justiça Federal. O indivíduo foi localizado e preso ao retornar de Frankfurt, em conexão no Brasil.
Defesa alegou surto psicótico
A defesa do chileno alegou que ele teria tido um surto psicótico. Germán esteve internado desde 2013 e faz tratamento médico desde então. Além disso, a defesa afirma que o homem não se lembra dos fatos ocorridos. "Está consternado em razão disto, pois reflete conduta incompatível com sua história de vida pessoal, familiar e profissional". Em nota, o chileno pediu "desculpas para o funcionário da LATAM e para o povo brasileiro em razão de ofensas proferidas durante surto psicótico".
Segundo o advogado criminalista Carlos Kauffmann, representante do homem, Germán relatou não ter clareza sobre os acontecimentos registrados durante o voo e disse que está abalado, envergonhado e arrependido.
O que disse a defesa do chileno
“Estivemos com o Germán hoje, e ele fez uma declaração na qual ele reconhece que, por força de tratamento psiquiátrico, o qual ele é submetido há mais de 13 anos, já tendo sido internado por essas questões, remédios que está tomando, ele não sabe o que aconteceu. Não tem noção do que houve.
Está extremamente triste, consternado, envergonhado com tudo isso, e pede desculpas públicas a todos os brasileiros, em especial, ao tripulante Bruno, que se sentiu ofendido, dizendo que essa conduta é incompatível com a sua vida, com o seu histórico, e que jamais, jamais, poderia fazer algo nesse sentido de maneira consciente, de maneira intencional.
Neste sentido, o que o Herman precisa é de tratamento. Ele toma medicamento, medicamento controlado, e certamente ele busca tratamento para que ele possa se recompor. Peticionamos hoje à Justiça Federal para trazer dados e fatos até então desconhecidos, no sentido de que Herman precisa de tratamento médico, que já foi internado, toma medicação de uso controlado e é indispensável que seja avaliada a sua condição, o seu estado mental, ainda que esteja preso."
*Com informações de Giuiliana Zanin, da CNN, e Yuri Cavalieri
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