Madrasta é condenada a mais de 40 anos de prisão por envenenar enteados no RJ

Ré colocou “chumbinho” nas refeições dos jovens em 2022; Justiça condenou Cintia Mariano por homícidio qualificado e tentativa de homicídio qualificado

Ré, Cíntia Mariano, durante o julgamento

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) considerou, nessa quinta-feira (5), uma madrasta culpada pelo homicídio qualificado da enteada e pela tentativa de homicídio qualificado do enteado. Ambos foram evenenados com “chumbinho” em 2022, em Padre Miguel, Zona Oeste da capital fluminense.

Após 15 horas de julgamento, a juíza Tula Corrêa de Mello, destacou a gravidade da conduta de Cintia Mariano Dias Cabral. A ré foi condenada a 49 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão em regime inicial fechado.

Depoimentos decisivos

Os depoimentos dos próprios filhos de Cintia, o enteado sobrevivente e os pais das vítimas foram essenciais para a condenação. Lucas e Carla, filhos da ré, relataram que, após Cintia receber alta de uma suposta tentativa de suicídio, ela lhes confessou ter envenenado os dois enteados.

O sobrevivente do envenenamento, Bruno, descreveu o momento em que sentiu um gosto amargo no feijão servido pela madrasta e notou “bolhinhas azuis” na comida. “Ao perguntar para ela, vi que ficou nervosa”, declarou o jovem. Adeilson, o pai relatou o ciúme doentio de Cintia, afirmando que ela apagava mensagens enviadas pelos filhos para que ele não as visse.

Por fim, a mãe das vítimas, Jane, relembrou durante o depoimento que, durante a internação de Fernanda - vítima fatal - os batimentos cardíacos da filha disparavam sempre que Cintia se aproximava do leito.

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Relembre os crimes

Os ataques aconteceram em datas diferentes. Em 15 de março de 2022, Fernanda, na época com 22 anos, passou mal logo após o jantar. Ela apresentou sitomas de intoxicação exógena - provocadas pela interação de substâncias como medicamentos, produtos de limpeza e drogas - como tontura e visão turva. Fernanda morreu no dia 27 do mesmo mês, 13 dias após a internação.

Inicialmente, a morte dela foi tratada como causas naturais, mas a suspeita do crime surgiu dois meses depois. Em 15 de maio de 2022, Bruno, então com 16 anos, também passou mal após um almoço serviço pela madrasta.

O adolescente relatou ter sentido um gosto amargo no feijão e notado “bolinhas azuis” na comida. Diferente da irmã, Bruno recebeu atendimento médico imediato e sobreviveu após passar por uma lavagem estomacal que confirmou a presença do veneno.

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Condenação

Ao encerrar o julgamento, a magistrada prestou solidariedade à família. “A Fernanda não vai voltar, mas de certa forma acredito que esse é um momento importante, no momento que a Justiça está sendo feita”, disse.

Cintia estava em prisão preventiva desde julho de 2022 e não poderá recorrer em liberdade. Confira as condenações:

  • Homicídio qualificado: 30 anos.
  • Tentativa de homicídio qualificado: 19 anos, 6 meses e 20 dias.

O júri reconheceu as qualificadores de emprego de veneno e motivo fútil, baseado no ciúme excessivo que a ré sentia da relação com o companheiro.

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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