Sette Câmara vê ‘incoerência’ de críticos da Stock Car: ‘no Carnaval fazem barulho perto de hospitais’
Organizador da prova automobilística na Pampulha diz que evento vai gerar impactos semelhantes aos vistos em eventos como a Festa de Momo e a Parada LGBT+

O empresário Sérgio Sette Câmara, um dos organizadores da etapa de Belo Horizonte da Stock Car, admitiu, nesta sexta-feira (1°), os impactos ambientais do evento automobilístico. Ele citou datas como o Carnaval de rua e a Parada do Orgulho LGTBQIAP+ para afirmar que grandes eventos estão sujeitos a questões do tipo. Sette Câmara apontou “incoerência” por parte dos críticos da corrida, que temem os impactos do corte de árvores no entorno do Mineirão, na Pampulha.
“Está havendo uma incoerência muito grande. Essas pessoas que lideram alguns movimentos contrários ao evento são as mesmas que estavam no Carnaval, em cima de trios elétricos, fazendo barulho na frente de hospitais. Não tem impacto? Algumas delas, até, participaram de decisões — ou apoiaram projetos — que desaguaram na supressão de indivíduos arbóreos (árvores). Quantas árvores foram retiradas para fazer nosso BRT (Move)? Mais de 200”, disse, durante entrevista coletiva na sede da Câmara dos Dirigentes Lojistas de BH (CDL-BH).
O organizador da prova conversou com representantes de entidades comerciais e do setor de serviços, que manifestaram apoio ao evento. A expectativa é que, durante os cinco anos do contrato com a Stock Car, haja a injeção de R$ 1 bilhão na economia belo-horizontina.
A prefeitura anunciou, como medida compensatória, o plantio de outras 688 árvores. A Minas Arena, gestora do Mineirão, ficará responsável por plantar outras 120. De acordo com Sette Câmara, a organização vai fornecer outras 1 mil mudas.
O empresário chamou esse processo de “substituição” de árvores e pregou a “despolitização” do evento automobilístico. Ele disse sentir “dor no coração” por causa da necessidade dos cortes de árvores — feitos para viabilizar o circuito de rua que abrigará a prova.
“Pegaram a Stock Car e quiseram politizar. Não podemos esquecer que estamos em um ano político. Estão pegando o evento, que dá muita visibilidade, para querer aparecer”, falou.
Protesto
Cidadãos contrários à realização da Stock Car em BH organizaram uma manifestação na porta da CDL. Segundo eles, houve “rapidez” excessiva no processo de retirada das árvores.
“Não estamos vendo um plano de manejo dos vegetais, das aves, dos insetos e de todas as vidas. A árvore não é uma vida sozinha. É uma vida que alimenta e abriga outras vidas”, criticou Kátia Lopes, representante do Instituto Sammy Aram, de defesa dos animais, e integrante do coletivo “Stock Car, não”.
Nessa quinta-feira, uma decisão judicial em caráter liminar ordenou a suspensão do corte das árvores nos arredores do Mineirão. A sentença foi expedida após pedido dos vereadores Bruno Pedralva e Pedro Patrus — ambos do PT.
Dados econômicos
As equipes da Stock Car vão desembarcar em Belo Horizonte no mês de agosto. Serão quatro dias de evento a partir do dia 15, entre treinos e a corrida. Os organizadores esperam receber 30 mil espectadores em cada um dos dias de funcionamento do circuito de rua.
Nos cálculos do empresariado, a arrecadação proporcionada pelo evento vai gerar cerca de R$ 20 milhões em impostos recolhidos pela prefeitura.
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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.



