'Quero ver a verdade, doa a quem doer', diz mãe de suspeita de latrocínio contra casal idoso
Dona Neusa acredita que a filha pode ter sido usada e que existam outras pessoas por trás do crime

Dona Neusa, mãe da mulher de 30 anos, principal suspeita de envolvimento no duplo latrocínio que teve como vítimas o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, fez um apelo emocionado para que a filha volte e o caso seja esclarecido. Em entrevista à Itatiaia, nesta quarta-feira (1º), ela afirmou que a filha deve responder à Justiça caso tenha cometido o crime e pediu que devolva o neto à família.
"Quero ver a verdade, gente. Doa a quem doer. Se a minha filha tiver errado, ela vai pagar pelo erro dela. E quem estiver por trás também vai ter que pagar. É muito triste. Eu sei as noites que passei chorando. Já vi ela chorando por causa de gente errada, e agora toda a família está sofrendo e sendo ameaçada", afirmou.
Dona Neusa demonstrou grande preocupação com o neto e fez um apelo direto à filha.
"Eu te peço como mãe: onde você estiver, apareça. Você sabe que eu nunca quis o seu mal. Sempre te apoiei e te aconselhei. Seja igual à sua mãe: quem não deve, não teme. Apareça e fale a verdade. Você vai ter a proteção da Justiça e, acima de tudo, de Deus. Pelo amor de Deus, manda esse menino. Me traz esse menino de volta."
Durante a conversa com o repórter Oswaldo Diniz, a mãe da suspeita também falou sobre dívidas com agiotas que a filha acumulou depois de se viciar no "Jogo do Tigrinho" e como isso impactou a família.
"Nós da família inteira pagamos agiota, tudo que eles cobrou dela, entendeu? Que ele estava ameaçando, tipo os R$ 40.000. Nós fizemos empréstimo no banco, a família toda fez, pagamos. Eu acredito que ela foi usada. Tem pessoas atrás disso. E são pessoas perigosas", completou.
A mãe reforçou ainda que acredita que outras pessoas também estejam envolvidas no crime.
"A minha filha não teria coragem de saquear duas pessoas desse jeito. Tem outra pessoa."
Confira a entrevista
O crime no bairro São Pedro
Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio foram encontrados mortos dentro do apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Os corpos foram localizados pelo filho do casal após ele estranhar a ausência do pai no escritório de advocacia.
Segundo o sobrinho das vítimas os dois foram mortos com diversos golpes de faca. O apartamento não apresentava sinais de arrombamento, e o desaparecimento de celulares e de uma bolsa de grife reforça a hipótese de latrocínio.
Câmeras de segurança mostram a suspeita no apartamento das vítimas entre 7h30 e 15h30. As imagens revelam que a mulher, que trabalhava no local, saiu carregando duas sacolas grandes, uma delas reconhecida pelo filho das vítimas como pertencente à mãe.
Após identificar a suspeita, policiais foram até a casa onde ela morava, em Ribeirão das Neves.
A suspeita fugiu para o Espírito Santo?
À Polícia Militar, uma tia informou que a mulher deixou a residência na manhã seguinte ao crime, levando os próprios pertences e os do filho, e disse que seguiria para um hotel ou para o Espírito Santo.
Sobre a possibilidade de fuga, Dona Neusa, mãe da mulher de 30 anos, disse ao repórter Oswaldo Diniz que não ficou sabendo de nada e voltou a demonstrar preocupação com o paradeiro do neto: "Se eu soubesse que ela ia viajar não tinha deixado o menino ir para lugar nenhum, porque quando ela viajava para algum lugar, o menino ficava comigo."
Investigação da Polícia Civil
Em nota, A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) afirmou que investiga as circunstâncias e a causa da morte do casal de idosos.
A PCMG informou que deslocou uma equipe da perícia oficial e policiais civis ao local dos fatos, onde foram coletados vestígios e informações que irão subsidiar os trabalhos investigativos.
A nota também confirma que os corpos foram encaminhados ao IML, onde foram submetidos a exames e, logo após, liberados aos familiares.
As diligências seguem em andamento e PC não descarta nenhuma linha investigativa.
Até o momento, nenhum suspeito foi conduzido à delegacia.
Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.
Jornalista, formado pela PUC Minas e pós-graduado em Jornalismo Digital, na mesma instituição. Doze anos na Record Minas, como Produtor, Editor e Editor-chefe de telejornais e coberturas especiais. Atualmente é Coordenador de Jornalismo Digital da Itatiaia




