'Quero ser respeitada e que todo mundo também seja' diz vítima de injúria racial em bar de BH
Crime ocorreu na terça-feira (7) região da Pampulha, em Belo Horizonte; autora do crime foi presa

A gerente de uma espeteria, de 35 anos, foi vítima de injúria racial enquanto trabalhava no local, no bairro Alípio de Melo, região da Pampulha, em Belo Horizonte. O crime ocorreu na terça-feira (7) e a autora do crime, também de 35, foi presa.
Em entrevista à Itatiaia, a vítima contou como ocorreu o crime e o que a motivou a denunciar prontamente. Segundo a gerente, trata-se de uma cliente que já frequentava o bar. 'Ela pediu o espeto e bebida e depois pediu para fechar a conta com o garçom e não comigo, que estava no caixa. Ao fazer o pagamento ela reclamou de algo que não gostou do espeto, com o garçom', contou a gerente.
Como estava próxima à mesa, no caixa, a gerente escutou e foi entender o que tinha acontecido. 'Eu sou a gerente e a gente tem um protocolo de atendimento. Eu na hora conversei com ela e falei que da próxima vez poderia falar o que não gostou antes de consumir que a gente trocaria. Bem educada e ela também', disse.
No entanto, a cliente permaneceu no local e pediu mais bebida. Depois de cerca de duas horas a cliente pediu novamente para fechar a conta com o garçom, optando mais uma vez por não ir ao caixa. Foi aí que a mulher proferiu palavras racistas: 'Dá próxima vez eu resolvo com uma pessoa branca'.
Imagens da câmera de segurança mostram que vítima ficou incrédula ao escutar a fala.
'Eu saio do caixa e vou até ela e pergunto diretamente para ela. E ela novamente repete, só que dessa vez olhando para mim, que da próxima vez quando ela fosse resolver alguma coisa ela resolveria com uma pessoa branca',
'Você entende que você não precisa ficar calado. Tem meios que vão te acolher que vão lutar por você, você não precisa ficar calado, não precisa ficar com medo. Eu não preciso ficar com medo de perder meu emprego, de perder seus colegas. Eu estou indo atrás de respeito. Eu só quero ser respeitada e quero que todo mundo seja respeitado',
Denúncias disparam
Conforme a lei brasileira, o crime de injúria racial consiste em ofender a honra de alguém valendo-se de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem, o crime de racismo atinge uma coletividade de indivíduos — discriminando toda a integralidade de uma raça. Em janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei aprovada pelo Congresso Nacional que equipara o crime de injúria racial ao de racismo e amplia as penas.
Conforme os dados mais atualizados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), de janeiro a outubro de 2024, foram 1.521 denuncias — 200% a mais que no ano anterior no mesmo período, quando a polícia registrou 490 casos. Em 2022, foram 423.
O número de casos de racismo é menor. De acordo com a pasta, de janeiro a outubro do ano passado, foram 162. Em 2023, foram 332, e em 2022 foram 153.
Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde




