Prima de mineira morta pelo ex na Irlanda narra noite do crime e desabafa após condenação
Miller Pacheco foi condenado nesta sexta-feira (23) à prisão perpétua por matar Bruna Fonseca; crime ocorreu em 1º de janeiro de 2023 na cidade de Cork

O engenheiro brasileiro Miller Mizerani da Cunha Belo Pacheco, de 32 anos, foi condenado à prisão perpétua nesta sexta-feira (23) pela Justiça da Irlanda. Ele matou a ex-namorada, a mineira Bruna Fonseca, de 28 anos, asfixiada em 1º de janeiro de 2023 na cidade de Cork.
Após a condenação, a Itatiaia conversou com Marcela Fonseca, prima da vítima, que vivia com ela na Irlanda, testemunhou os acontecimentos após o feminicídio e acompanhou o julgamento do autor.
“Não vai trazer ela de volta, mas a gente está muito aliviado. Parece que tirou um peso. Peso eu falo de tensão. De ter carregado três anos tudo calada. A gente não podia falar nada. Nada para imprensa, nada para ninguém”.
Prima narra o dia do crime
Marcela Fonseca acompanhou o julgamento do autor do crime e prestou depoimento como testemunha. Em entrevista à Itatiaia, ela afirmou que relatou no tribunal “basicamente o que a gente viveu naquela noite de Ano Novo”.
Marcela e Bruna faziam parte de um grupo de quatro amigas que moravam em Cork. As primas e Juliana trabalhavam em um hospital e marcaram de sair na tarde de 31 de dezembro para passear, pois não passariam o Réveillon juntas. Bruna planejava ir a uma festa com Maria.
Após deixarem o trabalho, Marcela e Juliana aguardavam Bruna. No entanto, a mulher “não chegava de jeito nenhum”. Depois, o grupo descobriu que ela estava na casa do ex-namorado, Miller Pacheco.
Em contato com a prima e a amiga, Bruna relatou que estava tentando comprar passagem para Miller retornar ao Brasil. “Ele falava que só voltaria depois de 'foder' com a vida da Bruna”, revelou Marcela.
À tarde, Miller cortou Bruna com uma faca. Ela disse para as amigas que o corte foi acidental e que o ex-namorado estava tentando tirar a própria vida.
O grupo foi a casa de Miller e buscou a mineira. Depois, Bruna e Maria foram para a festa de Ano Novo.
Miller matou Bruna asfixiada durante a madrugada
Marcela não saiu de casa no Réveillon e foi dormir. Durante a madrugada, recebeu uma ligação de Bruna, que estava na casa do ex-namorado e relatou que ele passava por uma crise de ansiedade.
Bruna disse que levaria Miller ao hospital. Marcela a aconselhou a não fazer isso e sugeriu que a prima voltasse para casa. Ela respondeu que não poderia deixar ele sozinho.
Marcela, então, se prontificou a cuidar dele para liberar Bruna. “6h a gente troca”, respondeu Bruna. “Aí mandei uma mensagem para ela: 'E aí?' Nunca tive resposta dessa mensagem”, revelou Marcela em entrevista à Itatiaia.
Durante a madrugada, um amigo do assassino ligou para Marcela e disse: “Vai agora para a casa do Miller que ele acabou de matar a Bruna”. Miller havia ligado para o amigo e mostrado a mulher desfalecida em uma chamada de vídeo.
Recado sobre feminicídio
“Acredito que o recado que tenho para passar é para as mulheres sempre estarem atentas, porque eles dão sinal. Eles dão sinal, sempre dão sinal. E no primeiro sinal que isso acontecer: cai fora. Cai fora! E, para os homens, é para parar de matar nós mulheres”.
Relembre o caso
A vítima era bibliotecária formada e estava há quase quatro meses no país para um intercâmbio quando foi morta. Ela era de Formiga, no Centro-Oeste de Minas Gerais.
Miller Pacheco e Bruna Fonseca namoraram por anos, mas se separaram em dezembro de 2021.
O casal reatou a relação pouco antes da mulher se mudar para Irlanda, em setembro de 2022. Em novembro, o homem também viajou ao país europeu. No entanto, eles se separaram poucos dias depois.
Miller não aceitou o fim do relacionamento e ameaçava tirar a própria vida para persuadir Bruna a reatar o namoro.
Horas antes do feminicídio, Bruna estava com outro homem em uma festa de Réveillon. O autor do crime a seguiu para a observar no local.
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Após a celebração, Miller atraiu Bruna para o seu apartamento e disse para eles fazerem uma chamada de vídeo com familiares e verem um cachorro que cuidavam juntos.
Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).



