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Polícia bloqueia R$ 25 milhões de quadrilha que fraudava contas de idosos em MG

Operação 'Personal Manager' investiga um esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro na Região Metropolitana

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PCMG/Divulgação

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, entre quarta-feira (20/5) e quinta-feira (21/5), a operação “Personal Manager”, que investiga um esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ação resultou no bloqueio judicial de R$ 25 milhões, além da apreensão de veículos de luxo, celulares, cartões, certificados digitais e documentos ligados ao grupo criminoso.

As investigações são conduzidas pela Delegacia Especializada em Investigação e Repressão ao Furto, Roubo e Desvio de Cargas, vinculada ao Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri). Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Nova Lima e Vespasiano.

Segundo a PCMG, o grupo atuava com participação de gerentes e ex-funcionários de instituições financeiras, que facilitavam o acesso indevido a contas bancárias pouco movimentadas, principalmente de idosos e de pessoas com valores parados em inventários. De acordo com o chefe do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio, delegado Felipe Freitas, os criminosos cadastravam a própria biometria em contas das vítimas para assumir o controle financeiro delas.

“O indivíduo, com o auxílio de gerentes de uma agência bancária, cadastrava a própria biometria em contas que estavam há muito tempo sem movimentação, principalmente contas poupança de idosos. Depois disso, ele começava a movimentar essas contas, emitir cartão de crédito, fazer saques, compras e transferências, agindo como se fosse o próprio titular”, explicou o delegado.

O caso que deu origem ao inquérito envolve uma idosa de 78 anos que teve prejuízo superior a R$ 522 mil. Conforme relatado por Felipe Freitas, a fraude foi descoberta após a vítima procurar o banco para contestar movimentações que não reconhecia. “Quando ela procurou a agência, foi instaurado um procedimento administrativo interno. Nessa apuração, o banco identificou que havia sido cadastrada uma biometria indevida e constatou a participação de um gerente na fraude”, afirmou.

Após ressarcir a vítima, a instituição financeira acionou a Polícia Civil, que instaurou o inquérito em junho do ano passado. Durante a investigação, relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram movimentações que chegaram a R$ 25 milhões.

A investigação também revelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de fachada e negócios formalmente constituídos. Segundo a polícia, um contador investigado era responsável pela estrutura documental utilizada para ocultar a origem ilícita dos recursos. “Esse contador fazia toda a parte documental tanto das empresas lícitas quanto das empresas de fachada utilizadas para movimentações fraudulentas e para o branqueamento de capitais”, disse o delegado.

Entre as estratégias identificadas pelo grupo estava a compra de veículos sinistrados em leilões de seguradoras. Os carros eram recuperados em uma oficina localizada na Avenida Carlos Luz, no bairro Caiçara, em Belo Horizonte, e posteriormente revendidos para dar aparência legal ao dinheiro obtido nas fraudes.

“Muitas vezes eles compravam veículos sinistrados de seguradoras, faziam a recuperação e depois revendiam esses carros. Era uma forma de lavar o dinheiro obtido com os golpes”, detalhou Felipe Freitas. Ainda conforme o delegado, o principal investigado circulava no meio empresarial e utilizava contatos com ex-funcionários bancários para cooptar gerentes que ainda trabalhavam nas instituições financeiras.

“Ele conhece ex-funcionários, que o apresentam a funcionários atuais. A partir daí, começa a cooptação. Todo estelionatário tem uma lábia muito boa e consegue convencer essas pessoas a participarem do esquema”, afirmou. A polícia também apura casos envolvendo contas paradas por conta de inventários ou ausência de movimentação prolongada.

“Eles escolhiam como alvo contas que estavam há muito tempo sem movimentação. Em alguns casos, eram contas em inventário. Quando os herdeiros iam verificar, descobriam que o dinheiro já havia sido retirado”, concluiu o delegado. O material apreendido será submetido à perícia e análise investigativa para identificação de outros envolvidos e aprofundamento das apurações.

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Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.