'Perdi minha filha e minha mãe', diz jovem em desabafo após chuva histórica em Juiz de Fora
Parque Burnier é a área mais atingida; 13 pessoas seguem soterradas e cidade soma 30 mortes

Entre os desaparecidos da chuva histórica de Juiz de Fora, na Zona da Mata, está Fabiana Gomes, de 39 anos. A filha dela, Vitória Cristina, de 18 anos, aguarda nesta quarta-feira (25), o resgate da mãe enquanto tenta lidar com a perda da filha, Melissa Emanuele, de apenas dois anos. Em um relato emocionado, a jovem descreveu o momento da tragédia.
No total, há 33 pessoas desaparecidas e 36 mortes confirmadas em decorrência das chuvas, sendo 30 em Juiz de Fora e seis no município de Ubá, cidade vizinha.
Além da busca por vítimas soterradas, um cão de estimação foi resgatado entre os escombros por integrantes de uma ONG de acolhimento e proteção animal. A reportagem acompanhou o resgate de um animal de porte médio para grande, que estava muito assustado e agressivo, sendo contido com cuidado pela equipe especializada para evitar ferimentos.
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Chuvas muito acima da média em Juiz de Fora
Ainda na madrugada de terça-feira (24), a Prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública diante da gravidade das chuvas intensas e persistentes que atingem o município. Segundo a administração municipal, o volume acumulado chegou a 584 milímetros, tornando fevereiro o mês mais chuvoso da história da cidade.
Em alguns bairros, o acumulado em poucas horas foi extremo, com pico de cerca de 186,1 milímetros no bairro Nossa Senhora de Lourdes e registros entre 130 mm e 170 mm em outras regiões.
Para se ter uma ideia, a média esperada para todo o mês de fevereiro em Juiz de Fora, segundo o Inmet, é de 170,3 mm.
A situação provocou transbordamentos históricos, com o Rio Paraibuna fora da calha, córregos cheios, bairros ilhados e, até o momento, 20 registros de soterramentos, principalmente na região Sudeste do município.
O que provocou a chuva
Segundo o coordenador-geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Celutci, a situação já vinha sendo monitorada e é resultado da combinação de uma massa de ar muito úmida, a passagem de uma frente fria e a temperatura do mar acima do normal, o que aumenta a instabilidade atmosférica e favorece chuvas intensas a qualquer momento.
Apesar da previsão ampla, os eventos extremos tendem a ser localizados, e Juiz de Fora foi mais afetada por fatores como topografia complexa e encostas voltadas para o oceano, que recebem diretamente a umidade marítima.
Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.




