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Minas Gerais tem grande histórico de desastres provocados pela chuva; relembre

Empresa de metereologia aponta que clima e relevo do estado facilitam tragédias naturais

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Chuva história provoca desastre em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira
Chuva história provoca desastre em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira • PABLO PORCIUNCULA / AFP

A empresa de meteorologia MetSul publicou uma análise do histórico de desastres causados por chuvas em Minas ao longo dos anos. Segundo a entidade, o clima e o relevo do estado podem estar ligados à tendência de tragédias.

Episódios extremos de precipitação, como as chuvas que atingiram as cidades de Juiz de Fora e Ubá durante a madrugada desta terça-feira (24), quando combinados com a geografia acidentada do estado e a expansão urbana desordenada, tornam a região especialmente vulnerável a enchentes, deslizamentos e outros impactos graves.

A análise destaca que entre outubro e março, época de maior atividade de chuva no Sudeste brasileiro, Minas Gerais enfrenta com frequência volumes elevados de chuva, impulsionados por fenômenos como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Esses eventos têm influenciado desastres repetidos ao longo das décadas.

Entre os episódios citados na análise da MetSul estão:

  • Enchentes de 1979, consideradas uma das maiores tragédias hidrológicas do estado, com rios transbordando após mais de 35 dias consecutivos de chuva intensa, deixando 246 mortos e 37 cidades ilhadas;
  • Janeiro de 1997, cerca de 83 pessoas morreram em apenas 30 dias em decorrência de consequências causadas pelas chuvas. Naquele período, o MetSul afirma que cerca de 600 mil pessoas ficaram sem acesso à água potável, e oito municípios decretaram estado de calamidade pública;
  • Anos mais tarde, também em janeiro mas desta vez em 2003, a Região Metropolitana de Belo Horizonte teve um volume de chuva que superou as médias históricas da época. Na ocasião, 25 pessoas morreram na capital mineira e cidades em seus arredores;
  • As chuvas do verão de 2020 foram históricas. Como relembrou o MetSul, o mês de janeiro daquele ano foi o mais chuvoso da história de Belo Horizonte desde o início das medições, em 1910. Foram 935,2 mm de chuva. Em Minas 56 pessoas morreram e mais de 90 mil ficaram desalojadas. 

Outro episódio marcante foi a tragédia que atingiu a Vila Barraginha, no bairro Industrial, em Contagem, na Grande BH. Na ocasião, em 1992, uma avalanche de terra provocou a morte de 36 pessoas e deixou outras centenas feridas e desabrigadas.

O local foi alvo de um deslizamento de aterro de 15 metros de altura por 100 metros de extensão. Naquela época, o município ainda não contava com a atuação de uma Defesa Civil estruturada.

Atualmente, estudos climáticos indicam que a probabilidade de precipitações intensas aumentou em razão das mudanças climáticas, ampliando o risco para áreas já predispostas por aspectos naturais e humanos.



Especialistas ouvidos pela MetSul também alertam para a necessidade de políticas públicas que considerem a realidade climática e geográfica do estado, especialmente iniciativas de prevenção, planejamento territorial e investimentos em infraestrutura que reduzam a exposição das populações a desastres causados pelas chuvas.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.