Passe, modelo de cobrança testado pela Uber, revolta motoristas: 'Agiotagem'
Sistema está em fase de testes em dezenas de cidades selecionadas, entre elas Divinópolis-MG, Juiz de Fora-MG, Curitiba-PR e Fortaleza-CE

O novo modelo de remuneração testado pela Uber para parte dos motoristas e motociclistas parceiros já repercute entre especialistas, juristas e a própria categoria. Batizado de passe para motoristas, o sistema permite que o condutor fique com 100% do valor das corridas. Em contrapartida, é exigido o pagamento antecipado de uma taxa fixa que varia de R$ 19 a R$ 97 para trabalhar por um período determinado ou até atingir um limite de faturamento.
O sistema está em fase de testes em dezenas de cidades selecionadas, entre elas Divinópolis e Juiz de Fora, em Minas Gerais, além de Curitiba-PR e Fortaleza-CE, mas já causa preocupação à categoria. Um motorista de aplicativo ouvido pela Itatiaia, que pediu para não ser identificado, conta por que a mudança tem gerado apreensão.
"A partir do momento em que passarem a cobrar esse passe, fica inviável rodar na Uber, porque quem vai assumir o risco em caso de eu adoecer? Quem assume o risco caso o carro tenha algum problema mecânico e eu tenha que parar o carro? Nesses casos, pago o passe do mesmo jeito. Então, o risco é todo meu, de pneu, de gasolina, de seguro, de IPVA, todas as despesas ficam nas costas do motorista. O risco é muito grande", argumentou o trabalhador, que mostrou preocupação com colegas que pagam aluguel dos veículos.
"Como eles vão pagar esse passe? Não tem a mínima condição. O que já era ruim vai ficar pior. Não tenha dúvida. Se implantar amanhã, eu não paro amanhã, não. Eu paro hoje."
A advogada do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), Juliana Rei Santos, explica como funciona o novo modelo adotado pela empresa de transporte por aplicativo.
"A Uber está propondo agora um passe, que seria um pagamento por parte do motorista, de um valor determinado, e não vai ter o desconto nas suas corridas proporcional à corrida que ele tiver. Então, é um pré-pagamento", disse Juliana, acrescentando que o valor do passe pode variar de acordo com o tempo de trabalho do motorista.
"O motorista é que vai estipular qual é o tempo que ele quer utilizar ou qual é o faturamento que ele quer atingir, para poder estipular o valor da taxa dele, que já é predeterminada pela Uber, não é ele que determina", ressalta.
Isso significa, por exemplo, que, se um motorista estipular ganho de R$ 200 e passar desse limite, o valor do passe também aumenta. "Lembrando que essa nova taxa renova automaticamente. A partir do momento em que ele fez a primeira contratação, ela vai ser renovada automaticamente."
A outra modalidade de passe está relacionada ao tempo. Por exemplo, o motorista comprou o direito de trabalhar por 8 horas. Nesse caso, o passe não tem pausa e o condutor não tem como parar.
A advogada reforça ainda que a preocupação do condutor entrevistado pela Itatiaia, sobre casos de doença ou acidente, se justifica. "Uma vez que eu não consigo pausar, então o prejuízo vai ser do motorista."
Motorista de aplicativo e um dos representantes da categoria, Veron Guilherme avalia que os condutores vão trabalhar para pagar, caso o plano de passe seja implementado.
"As plataformas, em hora nenhuma, querem melhorar as tarifas. Infelizmente, querem sempre lucrar em cima do motorista. Então, com esse plano de passe, você paga para trabalhar, não vai ter um ganho mínimo. Por exemplo, você paga R$ 50. Aí você vai cumprir umas 8 horas. Então você é obrigado a aceitar qualquer tipo de corrida. E se o seu pneu furar ou o carro estragar? Então, falo que hoje estão usando o motorista. Isso é uma agiotagem contra o próprio motorista."
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Uber enviou o link da página do app que explica a nova modalidade. Veja aqui!
Apaixonado por rádio, sou um bom mineiro que gosta de uma boa conversa e de boas histórias. Além de acompanhar a movimentação do trânsito, atuo também na cobertura de vários assuntos na Itatiaia. Sou apresentador do programa 'Chamada Geral' na Itatiaia Ouro Preto.
Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.




