Vídeo: centenas de motoboys fazem manifestação em BH para reivindicar melhorias
Entenda os pontos apresentados pela categoria

Centenas de motoboys que trabalham por meio de aplicativos de transporte e entregas estão participando de uma manifestação em Belo Horizonte nesta sexta-feira (31). Os trabalhadores reivindicam melhores condições para a categoria, como o reajuste da taxa mínima por quilômetro rodado e a criação de pontos de apoio. A mobilização ocorre a nível nacional.
A mobilização teve início na Praça do Papa, vai passar pela Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG) e está prevista para terminar na Praça Sete, todos os pontos na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
O chamado “Breke Nacional” também prevê paralisação da categoria nos dias 1º e 2 de agosto.
Confira as reivindicações:
- Reajuste da taxa mínima por KM: garantir que o valor pago por quilômetro rodado acompanhe a inflação e a alta dos custos de manutenção (gasolina, pneus, óleo). A categoria reivindica valor mínimo de R$ 1,50 por quilômetro rodado e taxa mínima de R$ 7,50;
- Fim da desvalorização em rotas duplas/múltiplas: garantir que a segunda ou terceira entrega adicionada na mesma rota pague o valor integral de deslocamento, e não uma fração reduzida;
- Remuneração por tempo de espera: criação de uma taxa de ociosidade paga automaticamente pelo aplicativo quando o motoboy aguardar mais de 15 minutos no estabelecimento parceiro;
- Revisão do sistema de métricas (score): extinção de penalidades automáticas e quedas de score para motoboys que recusem corridas por motivos de segurança (áreas de risco) ou problemas mecânicos comprovados;
- Transparência nas rotas: exibição clara e obrigatória do destino final e do valor total da corrida antes do piloto aceitar o pedido na tela;
- Fim dos banimentos automatizados: proibição de bloqueios definitivos ou temporários de contas baseados exclusivamente em decisões de inteligência artificial, garantindo o direito de defesa analisado por uma equipe humana em até 24 horas;
- Pontos de apoio físicos obrigatórios: financiamento de "Estações de Apoio iFood" em regiões de alta demanda, equipadas obrigatoriamente com: banheiros limpos e separados por gênero; bebedouros com água potável; tomadas para carregamento de celulares; espaço coberto para descanso e refeições;
- Parcerias com redes de fast-food e shoppings: exigência contratual para que shoppings e grandes redes de restaurantes permitam o acesso gratuito e digno dos entregadores aos seus banheiros e praças de espera;
- Seguro de acidente ampliado e sem burocracia: simplificação do processo de acionamento do seguro do aplicativo em caso de sinistro, cobrindo despesas médicas imediatas e garantindo uma diária de afastamento equivalente à média de ganhos do piloto enquanto ele estiver impossibilitado de rodar;
- Suporte de emergência em tempo real: criação de um canal de socorro prioritário dentro do aplicativo para casos de acidentes, assaltos ou ameaças sofridas durante a rota, com acionamento de autoridades parceiras;
- Kit de proteção periódico: distribuição ou subsídio anual de equipamentos de segurança essenciais (capas de chuva de alta visibilidade, jaquetas com proteção e antenas corta-pipa).
Em nota, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) — integrada pelas empresas 99, Alibaba, Amazon, Buser, iFood, Flixbus, Lalamove, Shein, Uber, Zé Delivery — informou que "respeita o direito à realização de manifestações pacíficas e reforça que mantem canais de diálogo contínuo com os profissionais parceiros." De acordo com o texto, as plataformas associadas buscam equilibrar as demandas de todo os envolvidos no delivery — entregadores, lojistas e consumidores — e no transporte individual privado — motociclistas, motoristas e passageiros. "Isso envolve considerar tanto a necessidade de renda de quem trabalha com os aplicativos quanto a realidade econômica dos clientes, que buscam formas acessíveis de utilizar o serviço", afirmou.
A associação conclui: "A Amobitec continua atuando para o aprimoramento do trabalho por meio das plataformas digitais e apoia a sua regulação, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e a segurança jurídica da atividade. E reforça que as associadas seguem abertas ao diálogo para o aprimoramento de iniciativas que garantam mais dignidade, ganhos e transparência."
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.
Estagiário do jornalismo da Itatiaia. Estudante pelo centro universitário de Belo Horizonte (UniBH)


