Pacientes de Santa Luzia que fazem hemodiálise em BH denunciam interrupção do transporte
Prefeito da cidade reconheceu problemas e garantiu que um nova empresa vai começar a operar o serviço nos próximos dias

Pacientes de Santa Luzia que precisam fazer hemodiálise em Belo Horizonte denunciam precariedade, falta de combustível e interrupção do transporte prestado pela prefeitura da cidade da Grande BH. A Itatiaia conversou com a filha de um paciente e teve acesso a mensagens de grupos de aplicativos criados para organizar o transporte. Nas mensagens, pacientes reclamam e dizem não ter condições de pagar transporte particular, como Uber e táxi. "Bom dia, pessoal. Hoje não vai ter van", avisou uma pessoa no grupo Hemodiálise 3º Turno. "Misericórdia! Alguém pode dizer que dia vamos ter van? Ficar pagando Uber não dá", respondeu uma pessoa que precisa do serviço.
Motorista de transporte escolar, Simone Eliza Araújo, 34 anos, é filha do paciente Rogério de Araújo, de 64. Ela relata um cenário de "negligência e falta de empatia" por parte da gestão municipal.
“As vans são péssimas, não têm ar-condicionado e há van que não tem janela. Isso não é porque é meu pai. Falo como ser humano. A gente sabe que o tratamento de hemodiálise é muito agressivo. Eles saem do tratamento debilitadíssimos. O transporte é direito do paciente. Se não tem, esse direito está sendo violado. Esse transporte não está sendo prestado desde a semana passada, e os pacientes têm que se locomover por conta própria”, disse.
A ausência do transporte público gera um custo insustentável para as famílias. “Infelizmente, a realidade é que muitos não têm condição de pagar R$ 50, R$ 60, R$ 70 de Uber para ir. E por que a gente fala Uber? Porque, dependendo da localidade do paciente, não tem ônibus que o leve até o hospital”, disse.
Simone relata dificuldades para falar com os responsáveis e cita falta de respostas. Em uma das ligações, após horas de tentativa, a resposta obtida foi: "A informação que a gente tem é que realmente não vai ter, então os pacientes têm que dar um jeito". Segundo ela, o descaso se estende aos pedidos de troca de turno ou de sessões extras solicitados pelo hospital.
Prefeito se manifesta
Em vídeo postado nas redes sociais na noite dessa segunda-feira (29), o prefeito Paulo Bigodinho (Avante) relacionou os problemas ao "abandono deliberado" do serviço por parte da antiga empresa prestadora, que já estava em processo de substituição devido à "má qualidade" do atendimento. Ele informou que o processo de licitação para escolha da nova empresa foi concluído.
“Vocês vão ter uma frota nova, veículos novos e adaptados para pessoas com deficiência, com dificuldade de locomoção e um atendimento muito mais digno e humanizado do que vocês já viram. Mais uma vez, peço desculpas”, disse.
Além disso, Bigodinho anunciou a aprovação do projeto para a construção de uma clínica própria no município, o que eliminará, futuramente, a necessidade de deslocamento para outras cidades.
O que diz a prefeitura?
Procurada pela Itatiaia, a Prefeitura de Santa Luzia informou que está ciente das reclamações sobre possíveis falhas e irregularidades na oferta de transporte.
“Foram identificadas dificuldades pontuais na prestação do serviço, as quais decorreram, principalmente, do não cumprimento de exigências contratuais por parte da empresa anteriormente responsável. Entre os pontos observados, destaca-se a incompatibilidade com cláusulas essenciais do contrato, especialmente no que se refere à continuidade de um serviço que é indispensável à saúde pública e que, em hipótese alguma, pode ser interrompido”, informa trecho do texto.
A gestão municipal destacou ter adotado, "de forma imediata", todas as medidas necessárias para assegurar a regularidade e a continuidade do transporte dos pacientes.
“As providências foram tomadas com responsabilidade e celeridade, priorizando o bem-estar e a segurança dos usuários do sistema de saúde”, reforça outro trecho da nota, que não cita quais ações foram tomadas. “Seguiremos monitorando e aprimorando continuamente os serviços, adotando todas as medidas cabíveis para garantir que situações semelhantes não voltem a ocorrer”, conclui a nota.
Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.
Jornalista formada pela PUC Minas, é repórter multimídia da Itatiaia com foco na editoria de Cidades. Estagiou na emissora por dois anos e atuou na Brazilian Traffic Network como repórter de trânsito em emissoras de BH. Vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo Universitário 2024 e do Intercom Sudeste 2025.




