O Ministério da Saúde vai iniciar a vacinação nacional contra a dengue com o imunizante de dose única Butantan-DV, e o município de Nova Lima, em Minas Gerais, será um dos primeiros a receber a campanha.
De acordo com a pasta, a vacinação começa no dia 17 de janeiro e essa etapa inicial funcionará como um projeto-piloto para avaliar o impacto da nova vacina contra a dengue.
Além de Nova Lima, outros dois municípios participam da estratégia: Maranguape (CE), que também inicia a vacinação em 17 de janeiro, e Botucatu (SP), onde a campanha começa no dia 18.
Segundo o Ministério da Saúde, o público-alvo será a população de 15 a 59 anos residente nessas cidades. Para essa fase, será utilizada parte das 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan e entregues ao governo federal até o fim de janeiro.
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Parte do primeiro lote também será destinada a profissionais da Atenção Primária à Saúde do SUS, como médicos, enfermeiros e agentes comunitários, que atuam na linha de frente do atendimento.
Além do Butantan DV, o Ministério da Saúde segue utilizando a vacina QDenga, de origem japonesa, aplicada em duas doses. Foram encomendadas 9 milhões de doses desse imunizante para 2025, destinadas a adolescentes de 10 a 14 anos em todo o país.
Ambas as vacinas não são indicadas para alguns grupos específicos, como pessoas com 60 anos ou mais, gestantes e indivíduos com sistema imunológico comprometido.
Aumento na produção
Com a ampliação da produção, a partir da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a expectativa é de que o acordo permita a produção de aproximadamente 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.
De acordo com o Ministério da Saúde, vacinação com dose única será gradualmente expandida para todo o país, conforme a disponibilidade de doses.
Em 2024, o Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue – quatro vezes mais do que em 2023, de acordo com o Ministério da Saúde.
Conheça vacina
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Entre pessoas de 12 a 59 anos, a vacina apresentou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia na prevenção de hospitalizações pela doença.
O estudo foi conduzido entre 2016 e 2024 e envolveu mais de 16 mil voluntários de 14 estados brasileiros. Resultados parciais, com dois e 3,7 anos de acompanhamento, já haviam sido publicados nas revistas The New England Journal of Medicine e The Lancet Infectious Diseases.
De acordo com o Butantan, a vacina é composta pelos quatro sorotipos do vírus da dengue e demonstrou ser segura tanto em pessoas previamente infectadas quanto naquelas que nunca tiveram contato com o vírus.
Ainda segundo o instituto, a maioria das reações adversas foi leve a moderada, como dor e vermelhidão no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos graves relacionados ao imunizante foram raros, e todos os casos evoluíram para recuperação completa.
O Instituto Butantan também trabalha para ampliar a faixa etária de aplicação do imunizante. A Anvisa já autorizou estudos em pessoas de 60 a 79 anos e caso os resultados sejam positivos, poderá haver a inclusão desse grupo nas recomendações oficiais.