Município de Minas será o primeiro a receber vacinação contra dengue em dose única

Nova Lima (MG) inicia imunização com a vacina Butantan DV a partir de 17 de janeiro

Município de Minas será o primeiro a receber vacinação contra dengue em dose única

O Ministério da Saúde vai iniciar a vacinação nacional contra a dengue com o imunizante de dose única Butantan-DV, e o município de Nova Lima, em Minas Gerais, será um dos primeiros a receber a campanha.

De acordo com a pasta, a vacinação começa no dia 17 de janeiro e essa etapa inicial funcionará como um projeto-piloto para avaliar o impacto da nova vacina contra a dengue.

Além de Nova Lima, outros dois municípios participam da estratégia: Maranguape (CE), que também inicia a vacinação em 17 de janeiro, e Botucatu (SP), onde a campanha começa no dia 18.

Segundo o Ministério da Saúde, o público-alvo será a população de 15 a 59 anos residente nessas cidades. Para essa fase, será utilizada parte das 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan e entregues ao governo federal até o fim de janeiro.

Produzido pelo Instituto Butantan, em São Paulo, o Butantan-DV é o primeiro imunizante contra a dengue em dose única no mundo e foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro de 2025.

Parte do primeiro lote também será destinada a profissionais da Atenção Primária à Saúde do SUS, como médicos, enfermeiros e agentes comunitários, que atuam na linha de frente do atendimento.

Além do Butantan DV, o Ministério da Saúde segue utilizando a vacina QDenga, de origem japonesa, aplicada em duas doses. Foram encomendadas 9 milhões de doses desse imunizante para 2025, destinadas a adolescentes de 10 a 14 anos em todo o país.

Ambas as vacinas não são indicadas para alguns grupos específicos, como pessoas com 60 anos ou mais, gestantes e indivíduos com sistema imunológico comprometido.

Aumento na produção

Com a ampliação da produção, a partir da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a expectativa é de que o acordo permita a produção de aproximadamente 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.

De acordo com o Ministério da Saúde, vacinação com dose única será gradualmente expandida para todo o país, conforme a disponibilidade de doses.

Em 2024, o Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue – quatro vezes mais do que em 2023, de acordo com o Ministério da Saúde. Em 2025, até meados de novembro, foram notificados 1,6 milhão de casos prováveis. Desde o começo dos anos 2000, mais de 20 milhões de brasileiros já foram acometidos pela doença.

Conheça vacina

A aprovação do imunizante pela Anvisa foi baseada nos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3.

Entre pessoas de 12 a 59 anos, a vacina apresentou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia na prevenção de hospitalizações pela doença.

O estudo foi conduzido entre 2016 e 2024 e envolveu mais de 16 mil voluntários de 14 estados brasileiros. Resultados parciais, com dois e 3,7 anos de acompanhamento, já haviam sido publicados nas revistas The New England Journal of Medicine e The Lancet Infectious Diseases.

De acordo com o Butantan, a vacina é composta pelos quatro sorotipos do vírus da dengue e demonstrou ser segura tanto em pessoas previamente infectadas quanto naquelas que nunca tiveram contato com o vírus.

Ainda segundo o instituto, a maioria das reações adversas foi leve a moderada, como dor e vermelhidão no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos graves relacionados ao imunizante foram raros, e todos os casos evoluíram para recuperação completa.

O Instituto Butantan também trabalha para ampliar a faixa etária de aplicação do imunizante. A Anvisa já autorizou estudos em pessoas de 60 a 79 anos e caso os resultados sejam positivos, poderá haver a inclusão desse grupo nas recomendações oficiais.

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Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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