Mulher denuncia ter sido estuprada por motorista de app após sofrer 'apagão' em BH
Procurada pela Itatiaia, a Uber lamentou o caso e considerou 'inaceitável qualquer tipo de má conduta sexual'; Polícia Civil investiga o caso

Uma mulher, de 55 anos, denuncia ter sido estuprada por um motorista chamado pelo aplicativo da Uber em Belo Horizonte. A vítima foi entrevistada pela Itatiaia nesta quarta-feira (20) e pediu por justiça.
O caso aconteceu na madrugada de 10 de maio deste ano, domingo de Dia das Mães, no bairro Cardoso, na Região do Barreiro. A vítima relatou que sofreu um "apagão" durante a viagem e que acordou em casa, na manhã seguinte, com dores nas partes íntimas.
"Segundo meu marido, eu abri a porta do quarto nua. Eu estava nua quando eu cheguei em casa, e ele falou que eu estava com um odor estranho, com um cheiro esquisito, e me perguntou, mas eu não lembro o que eu falei para ele. Eu deitei e dormi", detalhou.
Após constatar que havia sido vítima de violência sexual, a mulher avisou os familiares e acionou a Polícia Militar (PMMG). Um boletim de ocorrência foi registrado.
Os policiais levaram a vítima para o Hospital Júlia Kubitschek, onde ela passou por exames e foi medicada.
'Apagão' durante a corrida
A mulher afirmou que saiu da residência da mãe dela com o objetivo de retornar para casa após uma confraternização familiar, na véspera do Dia das Mães, em que consumiu bebidas alcoólicas.
"A última lembrança que eu tenho sou eu subindo as escadas para pegar o Uber e a minha mãe falando: ‘Não vai não, fica aí, dorme aí’. Parecia que estava adivinhando que iria acontecer uma coisa ruim, mas a gente nunca pensa que vai acontecer", desabafou.
A vítima relata que se lembra de entrar no carro e do motorista perguntar o código para a corrida. Depois, ela sofreu um "apagão" e não se recorda da sequência dos fatos.
"Eu não lembro de mais nada. Eu não lembro o que aconteceu, eu não lembro onde ele passou, eu não lembro o trajeto que ele fez. Não consigo me lembrar de nada. Não lembro como eu entrei na minha casa, como eu abri meu portão. Não lembro dele parando na porta da minha casa. Não lembro de nada", afirmou.
Após o crime, a família procurou por imagens de câmeras de segurança da vizinhança e constatou que o motorista chegou a ir perto do destino, quando supostamente encerrou a corrida, saiu do local e retornou posteriormente.
Eu quero justiça. Nada nesse mundo vai apagar esse dano. É um dano permanente que ele fez na minha vida. Eu vou lembrar disso pelo resto da minha vida. Eu nunca vou esquecer o que aconteceu. Eu me sinto violada enquanto mulher, mas a justiça vai amenizar um pouco essa minha dor, que eu vou ter que conviver com isso pelo resto da minha vida.
Mulher critica falta de suporte da empresa
A família da vítima entrou em contato com a Uber para solicitar suporte nas investigações do caso. No entanto, a mulher criticou o retorno da empresa.
"Sabe o que a Uber fez? Me ofereceu quatro horas de terapia e devolver o dinheiro da corrida. O que eu faço com isso diante desse problema, do que eu estou vivendo e da dor que eu estou sentindo?", reclamou.
Em nota enviada à Itatiaia, a Uber lamentou o caso e considerou "inaceitável qualquer tipo de má conduta sexual". Abaixo, confira o posicionamento da empresa na íntegra.
"A Uber lamenta o caso e considera inaceitável qualquer tipo de má conduta sexual. A plataforma defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro. A empresa acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos dessa natureza e encoraja que as mulheres denunciem qualquer incidente tanto pelo aplicativo quanto às autoridades competentes. O motorista teve a conta desativada assim que a empresa tomou conhecimento do episódio.
Todas as viagens na plataforma são cobertas por um seguro e, em parceria com o MeToo Brasil, a Uber conta com um canal de suporte psicológico para amparo inicial neste momento delicado. Ambos já foram disponibilizados para a usuária. A empresa também se coloca à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, nos termos da lei".
A Polícia Civil (PCMG) informou que instaurou um inquérito para apurar o caso. As investigações estão em andamento na Delegacia Especializada de Combate à Violência Sexual em Belo Horizonte. O suspeito ainda não foi identificado.
Saiba como denunciar
Denúncias podem ser registradas presencialmente em uma unidade policial ou denunciadas via disque 100 e 181. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) garante anonimato e sigilo aos denunciantes. Em casos de emergência, os números a serem acionados são o 190 (Polícia Militar), 193 (Corpo de Bombeiros) e 197 (Polícia Civil).
Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.


