Justiça pede novo laudo psiquiátrico para jovem que matou sargento Dias em BH
Defesa pediu que Welbert de Souza Fagundes seja transferido do sistema penitenciário para um hospital psiquiátrico

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou que a defesa de Welbert de Souza Fagundes, réu pela morte do sargento Roger Dias da Cunha em Belo Horizonte, apresente um laudo oficial que embase o pedido para que Welbert seja transferido do sistema penitenciário para um hospital psiquiátrico.
Na decisão, o juiz Roberto Oliveira Araújo Silva defendeu que o documento apresentado pelos advogados do reú, que alegariam insanidade mental do mesmo, tem viés unilateral, sem a observância do contraditório.
O pedido, inclusive, foi feito pelos advogados feito com base em um laudo assinado pelo psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro, que ficou famoso após realizar o laudo psiquiatra de Adélio Bispo de Oliveira, que esfaqueou o então candidato a presidência, Jair Bolsonaro.
Desse modo, o magistrado defendeu a necessidade da apresentação de um laudo oficial para dar seguimento ao processo.
Vale lembrar que o Ministério Público de Minas Gerais já havia se manifestado favoravelmente ao pedido para que Welbert de Souza seja transferido para um hospital psiquiátrico.
Atualmente, Welbert está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte, enquanto aguarda julgamento.
Defesa
Por meio de nota, o advogado de Welberth, Bruno Torres, se manifestou sobre a decisão do juiz Roberto Oliveira Araújo Silva.
"Nós temos respeito pela decisão. Porém, consideramos que a transferência é necessária, sim, pois os surtos psicóticos são preocupantes e podem atrapalhar o tratamento e o diagnóstico. O laudo oficial ainda está pendente, porque o incidente de perícia do Estado ainda não foi concluído, a qual acontecerá dia 06 de setembro de 2024. O pedido de transferência foi amparado em recomendação e avaliações de profissionais extremamente sérios e qualificados, após atendimento, e contribuiria para um diagnóstico mais seguro. Não substitui a perícia estatal, mas contribui em favor do melhor resultado. No mais, nossa manifestação será feita no processo".
Sargento baleado
A ‘saidinha’, como é conhecida a saída temporária, ganhou relevância especial depois de um sargento da polícia militar ser baleado no dia 5 de janeiro. O suspeito do crime é um homem que estava em saída temporária da cadeia. Welbert de Souza Fagundes, de 26 anos, é apontado como o responsável por disparar várias vezes à queima roupa contra a cabeça do sargento da Polícia Militar, Roger Dias da Cunha, no bairro Novo Aarão Reis, Região Norte de Belo Horizonte.
O Sargento Dias passou por duas cirurgias assim que foi socorrido ao Hospital João XXIII - uma para conter a pressão intracraniana e outra para conter o sangramento na perna, pois a bala atingiu uma artéria. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu na noite do dia 7 de janeiro.
Suspeito estava foragido da ‘saidinha’
Welbert tem 18 boletins de ocorrência registrados contra ele, por crimes como roubo, ameaça e tráfico de drogas. O Ministério Público foi contra a saída dele do sistema prisional, mas o benefício foi concedido pela juíza da Vara de Execuções Penais de Ribeirão das Neves, Bárbara Isadora Santos Sebe Nardy.
A juíza justificou sua decisão com base no atestado de conduta carcerária e disse que Welbert não havia cometido nenhuma falta grave, embora o Ministério Público tivesse apontado o episódio do furto de veículo. O MPMG recorreu da decisão junto ao Tribunal de Justiça e não recebeu nenhum retorno.
No dia 11 de janeiro, poucos dias após a morte do sargento Dias, Welbert se tornou réu por um furto qualificado cometido em julho de 2023. Poucas semanas depois, a Justiça aceitou a denúncia e Welbert se tornou réu por homicídio triplamente qualificado contra o sargento Dias. Ele segue detido desde a época do crime.
Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.
Graduado em Jornalismo e Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Atuou como repórter das editorias de Política, Economia e Esportes antes de assumir o cargo de chefe de reportagem do portal da Itatiaia.




