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Incêndio em fábrica de BH: Defesa Civil interdita imóveis no entorno

Fogo destruiu galpão no bairro Olhos D'Água na madrugada desta sexta-feira (7); Defesa Civil isolou residências vizinhas por risco de colapso, e Bombeiros confirmam que fábrica funcionava sem AVCB definitivo

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Defesa Civil no local aguarda liberação
Defesa Civil aguarda liberação dos bombeiros • Defesa Civil BH/ Divulgação

Um incêndio de grandes proporções atingiu a fábrica de eletrodomésticos da Suggar no bairro Olhos D'Água, divisa entre as regiões Oeste e Barreiro, em Belo Horizonte, na madrugada desta sexta-feira (7). Apesar da gravidade das chamas, não houve feridos.

Nesta noite, a Defesa Civil de Belo Horizonte informou que realizou a avaliação preventiva de quatro imóveis vizinhos ao galpão. Três residências localizadas na Rua Professor Otílio Macedo (números 221, 221A e 221B) foram totalmente isoladas por prevenção contra o risco de desabamento da estrutura e do telhado da fábrica. Os moradores deixaram o local e se abrigaram temporariamente em casas de parentes, ficando a realocação posterior sob responsabilidade da própria Suggar.

Em um quarto imóvel, na Rua Jerônimo Marcucci (nº 222), o órgão determinou o isolamento apenas da área externa, em razão do risco de projeção de escombros. A Defesa Civil segue acompanhando o caso e aguarda condições de segurança para realizar a vistoria completa no interior da edificação atingida.

Atuação dos bombeiros e dificuldades técnicas

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) foi acionado por volta de 00h50. A ocorrência foi classificada como de alta complexidade em razão da grande extensão do galpão e do tipo de material estocado.

"Trata-se de uma fábrica de eletrodomésticos com predomínio de material plástico e combustíveis líquidos, como óleos de máquinas. Tudo isso tornou a propagação das chamas muito incisiva no primeiro momento", explicou o porta-voz do CBMMG, tenente Henrique Barcellos.

Durante a tarde, os militares atuaram na fase de rescaldo e na queima residual do gás do sistema da fábrica, procedimento técnico para eliminar os riscos de novas explosões ou vazamentos antes da liberação do perímetro.

Falta de alvará definitivo

A corporação confirmou que a fábrica não possuía o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) definitivo e funcionava em meio a um processo de regularização pendente há anos.

"Identificamos um projeto aprovado que mostra que esse processo estava em andamento. Porém, é responsabilidade do empreendedor executar a estrutura e notificar a corporação para a vistoria de liberação. Em 2022, a empresa já havia sido notificada porque o projeto anterior não fora executado. Em 2025, apresentaram nova proposta, mas não sinalizaram à corporação que o local estava pronto para a emissão do AVCB", detalhou o tenente Henrique Barcellos.

As causas que deram início ao fogo serão apuradas pela Perícia Técnica da Polícia Civil assim que o local for totalmente liberado pelas equipes de resgate.

Nota da empresa

A Suggar Eletrodomésticos, responsável pela fábrica que pegou fogo em Belo Horizonte na madrugada desta sexta-feira (7), afirma que o processo de obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) seguia seu "curso regular". O posicionamento da empresa foi emitido após o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) afirmar que o empreendimento estava irregular por não ter o AVCB aprovado. A corporação reconheceu que o processo estava em andamento, mas afirmou que a empresa será notificada pelo ocorrido.

Em nota, a Suggar afirmou ainda: "Nos termos da legislação estadual vigente, o processo de tramitação do auto não constitui impedimento ao funcionamento da unidade. A Suggar esclarece, ainda, que todos os sistemas de proteção e combate a incêndio instalados na edificação, incluindo sistema de hidrantes, sistema de detecção e alarme de incêndio e sistema de iluminação de emergência, foram objeto de vistoria técnica independente realizada em julho de 2026, conduzida pela empresa de engenharia responsável pela elaboração do PSCIP. Na ocasião, todos os sistemas foram inspecionados, revisados e submetidos a testes operacionais, tendo sido validado seu pleno funcionamento e desempenho compatível com as respectivas finalidades de proteção."

A empresa também afirmou que mantém conduta diligente em relação à segurança de suas instalações e de seus colaboradores, e que colabora integralmente com as autoridades competentes na apuração das causas do sinistro.

Por sua vez, o CBMMG informou que, após a execução do projeto, é de responsabilidade da empresa notificar a corporação para que seja feita uma vistoria de liberação. "Já houve aqui um projeto anterior, a notificação ao bombeiro e no comparecimento do local, à época em 2022, a empresa foi notificada porque esse projeto não estava executado. Eles fizeram essa nova tentativa de execução em 2025, mas não sinalizaram à corporação o pronto para que nós viéssemos aqui e liberássemos o AVCB, que atesta a segurança contra incêndio e pânico”, afirmou o porta-voz da corporação, tenente Henrique Barcellos. Ele disse ainda que guarnições da corporação não conseguiram utilizar o hidrante que estava no local.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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