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Homem que decapitou a mãe em BH vira réu por feminicídio

O magistrado também manteve a prisão preventiva do homem e deferiu o pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) de complementação do laudo de sanidade mental do réu

Por e 
Jussara Maria Rodrigues da Cruz, de 54 anos, foi decapitada pelo próprio filho • Reprodução

O homem, de 27 anos, que confessou ter decapitado a própria mãe, Jussara Maria Rodrigues da Cruz, se tornou réu por feminicídio. A denúncia contra ele foi aceita pelo juiz Roberto Oliveira Araújo Silva, do Tribunal do Júri - 1º Sumariante da comarca de Belo Horizonte. Jussara foi encontrada morta na casa dela, no bairro Ermelinda, na Região Noroeste da capital mineira, no dia 22 de junho. O filho dela foi preso em flagrante no mesmo dia.

O magistrado também manteve a prisão preventiva do homem e deferiu o pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) de complementação do laudo de sanidade mental do réu. O órgão pediu a reavaliação do documento que concluiu que o acusado apresenta quadro psicótico, caso considerado doença mental, o que teria impedido ele de entender plenamente o ocorrido. 

O réu foi denunciado por feminicídio praticado com crueldade e com emprego de recurso que impediu a defesa da vítima. O MPMG também apontou como agravantes o motivo torpe e o fato de o crime ter sido cometido contra a própria mãe.

“A gravidade concreta da conduta é evidenciada pelo modus operandi do delito, uma vez que o acusado é denunciado por desferir múltiplos golpes de faca e decapitar a própria genitora, demonstrando acentuada brutalidade”, considerou o juiz na decisão. O magistrado também ressaltou que o laudo de sanidade mental indicou a existência de periculosidade decorrente de impulsividade, recomendando o tratamento do réu em regime de internação.

Exame de sanidade mental 

“Compulsados todos os elementos disponíveis, os peritos concluem que o periciando não apresenta dependência alcoólica nem toxicológica mas apresenta QUADRO PSICÓTICO (CID-10 F29) ao exame mental atual e em conexão com os fatos em tela, que neste caso é considerado doença mental do ponto de vista da psiquiatria forense e tolheu inteiramente as capacidades de entendimento e de determinação do periciando em conexão com os fatos em tela”, consta no documento do exame de sanidade mental do réu.

No laudo, há a transcrição do relato dado pelo homem sobre o ocorrido. Ele descreve o que sentia em relação à mãe antes e depois de matá-la. Em determinado trecho, ele narra: "Eu queria ver se ela era de verdade, se ela era ser humano ou máquina, eu queria ver se tinha estrutura óssea dentro dela, poderia ser um robô ou máquina. Ela poderia ser um robô mal programado."

Segundo o laudo, o tratamento do homem deve ser realizado em regime de internação para “fins de estabilização do grave quadro com supervisão contínua e a condução do tratamento a partir de então deve ser feita pelo psiquiatra assistente.”

Como foi o crime?

Jussara Maria Rodrigues da Cruz, de 54 anos, foi decapitada pelo próprio filho com uma faca de cozinha. Ela foi encontrada morta na casa dela, no bairro Ermelinda, na Região Noroeste de Belo Horizonte, no dia 22 de junho.

O suspeito foi preso em flagrante no local do crime. A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) foi acionada por vizinhos que perceberam uma briga entre o filho e a mãe. Desde o início, havia informações de que o homem poderia ter esquizofrenia.

No dia 24 de junho, a Justiça converteu em preventiva a prisão do suspeito.

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Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.

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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.