MPMG pede reavaliação de laudo de sanidade mental de suspeito de decapitar a própria mãe em BH
Além disso, o órgão ofereceu denúncia contra o homem

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 7ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, ofereceu denúncia contra o homem suspeito confesso de decapitar a própria mãe. Além disso, o órgão pede a reavaliação do laudo de sanidade mental dele, “resultado com o qual o MPMG não concorda.” O exame, ao qual a Itatiaia teve acesso, concluiu que o homem apresenta quadro psicótico, caso considerado doença mental, o que teria impedido ele de entender plenamente o ocorrido.
De acordo com o Ministério Público, na denúncia, o homem foi acusado de feminicídio praticado com crueldade e com emprego de recurso que impediu a defesa da vítima. O MPMG também apontou como agravantes o motivo torpe e o fato de o crime ter sido cometido contra a própria mãe. Jussara Maria Rodrigues da Cruz, de 54 anos, foi encontrada morta na casa dela, no bairro Ermelinda, na Região Noroeste de Belo Horizonte, no dia 22 de junho. O filho dela, de 27, foi preso em flagrante no mesmo dia.
O documento, assinado pelo promotor de Justiça Nilo Pinheiro de Oliveira, pede ainda a manutenção da prisão preventiva do acusado.
Exame de sanidade mental
“Compulsados todos os elementos disponíveis, os peritos concluem que o periciando não apresenta dependência alcoólica nem toxicológica mas apresenta QUADRO PSICÓTICO (CID-10 F29) ao exame mental atual e em conexão com os fatos em tela, que neste caso é considerado doença mental do ponto de vista da psiquiatria forense e tolheu inteiramente as capacidades de entendimento e de determinação do periciando em conexão com os fatos em tela”, consta no documento do exame de sanidade mental.
No laudo, há a transcrição do relato dado pelo homem sobre o ocorrido. Ele descreve o que sentia em relação à mãe antes e depois de matá-la. Em determinado trecho, ele narra: "Eu queria ver se ela era de verdade, se ela era ser humano ou máquina, eu queria ver se tinha estrutura óssea dentro dela, poderia ser um robô ou máquina. Ela poderia ser um robô mal programado."
Segundo o laudo, o tratamento do homem deve ser realizado em regime de internação para “fins de estabilização do grave quadro com supervisão contínua e a condução do tratamento a partir de então deve ser feita pelo psiquiatra assistente.”
Suspeito indiciado
O suspeito de cometer o crime foi indiciado por feminicídio majorado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
Como foi o crime?
Jussara Maria Rodrigues da Cruz, de 54 anos, foi decapitada pelo próprio filho com uma faca de cozinha. Ela foi encontrada morta na casa dela, no bairro Ermelinda, na Região Noroeste de Belo Horizonte, no dia 22 de junho.
O suspeito foi preso em flagrante no local do crime. A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) foi acionada por vizinhos que perceberam uma briga entre o filho e a mãe. Desde o início, havia informações de que o homem poderia ter esquizofrenia.
No dia 24 de junho, a Justiça converteu em preventiva a prisão do suspeito.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.



