Homem é preso suspeito de matar a esposa em MG; ele teria alegado um suposto latrocínio

As versões contadas pelo autor e por testemunhas do crime apresentavam várias inconsistências

Um homem de 52 anos foi preso suspeito de ter matado a esposa, de 43, na casa em que os dois moravam, no bairro Jardim Inconfidentes, em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais. Renata Cardoso de Oliveira foi morta com um corte no pescoço.

As versões contadas pelo autor e por testemunhas do crime apresentavam várias inconsistências, por isso, ele foi levado em flagrante.

Ele teria alegado que a esposa sofreu um possível latrocínio.

Versão do autor

Segundo o Boletim de Ocorrência, o suspeito relatou que chegou em casa entre as 16h30 e 17h do trabalho e não encontrou a esposa. Ele viu a porta e a janela do quarto onde a vítima foi encontrada morta estavam fechadas e estranhou, uma vez que ela trabalhava em casa e sempre deixava janela e porta abertas.

O homem contou que pensou que a vítima tinha saído de casa, uma vez que a moto dela não estava na garagem. Ele chegou a perguntar à sogra onde ela estava, mas a idosa não soube dizer. O suspeito teria se encontrado com o cunhado, que também tentou vários contatos com a vítima, mas sem sucesso.

A dupla decidiu, então, abrir a janela do quarto e se depararam com a vítima caída ao lado da cama. Depois, foram tentar abrir a porta, que estava trancada, e a arrombaram com uma marreta. De acordo com o relato do suspeito, eles teriam encontrado a vítima já morta, com um corte no pescoço. Eles teriam se desesperaram e pediram socorro a vizinhos, que acionaram a PM.

O suspeito contou aos policiais que, como a motocicleta de Renata não estava no local, o autor teria a levado após matá-la. Porém, a motocicleta foi encontrada a 200m da casa pelos policiais. Ele afirmou, ainda, que teria saído com a moto para comprar uma peça no horário do almoço e, ao retornar, a estacionou na garagem.

Leia também

Versão das testemunhas

Aos policiais, a mãe da vítima relatou que teve contato com a filha até o horário do almoço e que o genro estava em casa apenas no horário da tarde. Renata teria dito à mãe que iria trabalhar no quarto e, desde então, não foi mais vista. A idosa teria tentado ligar para a filha, que não atendeu.

Já a cuidadora da vítima relatou que ficou na residência durante a manhã e até o horário do almoço. Por volta do meio-dia, ela teria visto o suspeito sair com a moto da vítima e retornar a pé, sem o veículo.

O cunhado do suspeito relatou aos policiais que chegou às 15h do trabalho e foi direto para casa. Ele teria saído para fumar e se encontrou com o suspeito, que disse que não sabia onde Renata estava. O cunhado contou que viu o suspeito mexer na janela do quarto, tentando abrir, e voltou para casa. Depois, foi ajudá-lo a abrir a janela, quando encontraram Renata caída. Ele ajudou o suspeito a arrombar a porta e encontrou a vítima morta.

Casamento tinha problemas

Outras testemunhas, não identificadas no B.O, contaram à PM que a vítima teria recebido uma herança do pai falecido e não teria dividido com o marido.

Ainda de acordo com as testemunhas, o casamento dos dois já havia acabado e que eles viviam “apenas de aparências”. O suspeito não aceitava o sucesso profissional da vítima, conforme os relatos.

Contradições levaram à prisão

As contradições nas versões do suspeito e das testemunhas chamaram a atenção da polícia. Segundo a mãe de Renata, somente o suspeito estava na casa durante a tarde, no momento em que a vítima foi encontrada.

O celular de Renata não estava na casa e não foi encontrado, mas continuava recebendo ligações.

O suspeito foi preso em flagrante. Ele foi atendido em uma UPA da cidade com um ferimento no joelho, mas foi liberado e foi levado à delegacia.

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que “procedimentos estão em andamento para análise das circunstâncias do possível flagrante contra o suspeito” e que “novas informações serão divulgadas após a conclusão do procedimento e avanço das apurações”.

Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é “cria” da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

Ouvindo...