O bacharel em direito Matheus Matos, de 25 anos, afirma ter sido vítima de discriminação durante uma das fases do concurso para se tornar delegado da
Nas redes sociais, Matheus compartilhou toda a sua trajetória profissional. Após ter se graduado em direito, ele iniciou o processo do concurso para delegado. Em fevereiro de 2025, divulgou sua aprovação na primeira fase do processo. Logo após, se preparando para a fase discursiva - em que ele também passou.
Oito meses depois, publicou uma atualização. Em outubro do mesmo ano, realizou a prova oral e, novamente, foi aprovado. Porém, o objetivo de se tornar delegado não se concretizou com a reprovação no teste de aptidão física, também conhecido como exame biomédico.
Em seu perfil, Matheus descreveu a situação como “injustiça e preconceito”. Ele relatou que a condição física dele o impede de realizar alguns testes físicos nos parâmetros exigidos pela corporação, solicitando, então, uma adaptação.
Porém, o pedido foi negado e ele foi submetido ao teste de aptidão física sem adaptação e, consequentemente, foi reprovado, segundo o relato de Matheus.
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Para o bacharel em direito, a situação infringe o princípio de isonomia - que assegura que todos são iguais perante a lei, sem distinções, conforme o Art. 5º da Constituição Federal Brasileira.
Repercussão nas redes sociais
O caso ganhou grandes proporções nas redes sociais. Enquanto alguns perfis escreveram mensagens motivando Matheus a não desistir do sonho de se tornar delegado, outros usuários compartilharam comentários negativos e
Na última segunda-feira (9), Matheus divulgou uma nota pública sobre a repercussão do caso. O texto, assinado pela advogada criminalista Késia Olievira, destaca que “a liberdade de expressão não autoriza a prática de ofensas, injúrias ou discriminação”.
A nota ainda ressalta que todas as manifestações caracterizadas como “criminosas” estão sendo registradas e “serão adotadas as medidas judiciais e criminais cabíveis, a fim de responsabilizar os autores dessas condutas”, escreveu.
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O que diz a Polícia Civil?
Em nota enviada à Itatiaia, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que cumpre integralmente a legislação e os princípios da legalidade e isonomia nos concursos públicos, inclusive no que diz respeito à reserva de 10% do total das vagas para Pessoas com Deficiência (PCDs).
Porém, segundo a corporação, o edital do concurso para delegado prevê “regras claras” para candidatos PCDs, já analisadas anteriormente pelo Ministério Público de Minas Gerais (PCMG). Sobre o caso de Matheus, a
Os testes físicos previsto no edital são “essenciais para atividades práticas do cargo de Investigador de Polícia”, escreveu a Polícia Civil, destacando algumas funções frequentemente exigidas pela profissão, como perseguir suspeitos, superar obstáculos físicos em locais de difícil acesso e participar de operações policiais, que exigem mobilidade, agilidade e resistência física.
A Polícia Civil destacou que esses testes são exigência legal e são aplicados a todos os candidatos, inclusive PCDs. Ressaltou ainda que “não houve discriminação, mas a aplicação igualitária das regras”, escreveu a corporação.
Por fim, a PCMG afirmou que a exigência de aptidão física plena para cargos policiais, " não exclui pessoas com deficiência de forma genérica ou discriminatória, mas apenas assegura que o desempenho das funções essenciais não seja comprometido pela falta de capacidade física mínima indispensável.”