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Flamenguista espancado por atleticanos em BH se prepara para cirurgia e anuncia decisão

Psicólogo e representante comercial Richard Bastani, de 50 anos, vai ser operado ainda nesta semana

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Flamenguista agredido por atleticanos sofreu fraturas no rosto, lesão no olho e traumatismo craniano • Imagem cedida à Itatiaia

O torcedor do Flamengo que foi agredido por atleticanos no dia 10 de novembro em um bar na região da Pampulha, em Belo Horizonte, pouco depois da final da Copa do Brasil, vai passar por uma cirurgia complexa na próxima quinta-feira (29). A operação tem o objetivo de evitar que o psicólogo Richard Bastani, de 50 anos, perca a visão de um dos olhos. Três suspeitos das agressões seguem detidos.

Em entrevista exclusiva à Itatiaia, Richard falou um pouco sobre o estado da sua visão atualmente. Segundo as informações repassadas pela equipe médica, a cirurgia precisa ser feita até 30 dias após o trauma para que o resultado seja o melhor possível.

“A base do globo ocular, que é essa parte óssea da órbita, ela está muito fragmentada. Ela abriu um espaço maior. É como se eu tivesse uma alteração anatômica ali dentro. A tendência é que, com o tempo, o olho vai descendo para dentro da cabeça e isso vai ampliando a sensação de visão dupla que eu estou tendo no momento. Então a minha visão não está boa em função do posicionamento do olho. Ele tá descendo e isso não pode ficar assim”.

O flamenguista também comentou sobre os riscos e os medos em relação à cirurgia. Mesmo que ela ocorra sem complicações, é esperado que Richard tenha danos permanentes na visão periférica.

“Nas madrugadas, no hospital, eu tenho feito reflexões, algumas decisões e mudanças de hábito na minha vida que eu vou tomar nesse sentido. Eu torço para um time de futebol que não é dessa cidade, né? E não tenho muitas oportunidades de ir ao estádio. Todas as vezes que o Flamengo vinha jogar, eu fazia questão de estar presente. Então eu acredito que eu não vá mais ao estádio. É uma decisão que eu estou tomando junto com a minha família, por conta de tudo que a gente vê que está acontecendo por aí. E apesar de que eu entendo de que essa situação causada comigo não foi responsabilidade da torcida do Atlético e muito menos do Clube Atlético Mineiro. Isso foi uma situação gerada por três pessoas que não deram conta da sua frustração de ver o seu time sendo derrotado, coisa que acontece na vida da gente ao longo de toda a nossa vida. A gente tem derrota e tem vitórias. Eles resolveram descontar essas frustrações violentamente em cima de mim”.

Três suspeitos das agressões foram presos. Eles já tiveram pelo menos dois pedidos de habeas corpus negados pela Justiça mineira. Um deles chegou até mesmo entrar com recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, mas o pedido ainda não foi avaliado.

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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.