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Famílias de Contagem aguardam há 80 anos o ressarcimento pela construção do distrito industrial

Herdeiros estão há 59 anos aguardando pagamento de indenização após o trânsito em julgado do processo; desapropriação aconteceu na década de 40

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Dona Jeni, de 94 anos, foi desapropriada para construção do distrito industrial nos anos 40
Dona Geni é uma das desapropriadas do Distrito Industrial; segundo o advogado que representa uma das famílias, o valor do acordo pode chegar a R$ 80 bilhões • Ana Luiza Bongiovani | Itatiaia

Nesta sexta-feira (25), após 9 anos do rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, no município de Mariana, um acordo de repactuação pelos danos causados foi assinado. A solenidade aconteceu em Brasília com a presença do presidente Lula (PT) e do governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Enquanto as mais de 100 famílias afetadas irão, finalmente, ser ressarcidas, outro grupo, também no estado, espera uma resposta há 59 anos.

Em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, várias famílias foram desapropriadas para a construção do distrito industrial na década de 40. Para a reportagem da Itatiaia, os 2.500 herdeiros das fazendas Peroba e Ferrugem afirmam que o Estado cria várias ações para que as indenizações não sejam pagas.

O processo transitou em julgado em 1965 - ou seja, a justiça já deu a decisão final - e, desde então, 13 governadores assumiram o Palácio da Liberdade e o problema ainda não foi resolvido.

Segundo o advogado, o valor final da ação, com todas as correções, ultrapassa os R$ 80 bilhões.

De acordo com Jaqueline, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais transferiu o processo para o núcleo 4.0, a fim de dar mais agilidade a ação. "Agora tem um prazo de 120 dias para ser feita uma perícia de agrimensura para definir a metragem de cada herdeiro", afirmou.

Ela ainda diz que o grupo segue na expectativa para que o acordo seja feito e encerre o ciclo de uma "luta por direitos". A Dona Geni, prima de Jaqueline, está com 95 anos e ainda aguarda pelo encerramento do processo. O irmão dela, Danilo José de Abreu, de 74 anos, também está à espera. Outros membros da família Abreu morreram sem ver a cor do dinheiro.

"A vida toda eles correram atrás dessa herança e não tiveram sucesso. O estado não se pronuncia, o estado não oferece acordo, nós já pedimos acordo, o estado não oferece, o estado não aceita e é um processo que precisamos finalizar, mas a gente precisa que o judiciário, através do núcleo 4.0, definam esse processo", finalizou Jaqueline.

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