Defesa Civil aponta risco de colapso e isola galpões da Suggar após incêndio em BH
Vistoria realizada neste sábado (8) complementar apontou destruição total do setor de estoque, estrutura insalubre e danos na área de produção

A Defesa Civil de Belo Horizonte realizou uma vistoria complementar, no galpão de eletrodomésticos atingido por um incêndio de grandes proporções na Rua Jerônimo Marcucci, nº 74, no bairro Pilar, Região Oeste da capital. O imóvel pertence à fábrica da marca Suggar (registrada juridicamente como Madson Eletrometalúrgica Ltda.).
Durante a inspeção técnica, os engenheiros do órgão avaliaram três galpões do complexo industrial e uma edificação vizinha, constatando diferentes níveis de danos e riscos estruturais:
- Galpão de estoque: estrutura totalmente destruída pelo incêndio, com risco de colapso da estrutura metálica da cobertura e de desabamento das paredes remanescentes. O local foi totalmente isolado.
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Galpão de produção: foram identificadas condições de insalubridade, além de risco de desabamento parcial da estrutura do telhado e das paredes do mezanino, onde funcionava a sala dos líderes de produção. Foi determinado o isolamento parcial da área.
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Galpão de produção de linhas injetoras: foram constatados pontos com queda parcial de tijolos cerâmicos e vigotas com ferragens expostas, além de risco de queda da parede que faz a separação física entre os galpões. Foi determinado o isolamento parcial da área.
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Imóvel nº 152: o imóvel vizinho ao galpão totalmente destruído também foi vistoriado. Em razão do risco de queda de materiais provenientes da estrutura atingida pelo incêndio, foi determinado o isolamento preventivo da área dos fundos. O morador recebeu orientações e foi formalmente notificado.
A Defesa Civil formalizou as notificações de risco e entregou os documentos ao responsável legal da empresa, estabelecendo as medidas preventivas obrigatórias para mitigar os perigos na área.
Relembre o caso
O incêndio começou na madrugada de sexta-feira (7), por volta de 0h50, na unidade da fábrica situada na divisa entre os bairros Pilar, Olhos D'Água e a região do Barreiro. Apesar da intensidade das chamas e da densa fumaça, não houve feridos.
Na noite do mesmo dia, a Defesa Civil já havia interditado preventivamente quatro imóveis vizinhos. Três residências na Rua Professor Otílio Macedo foram totalmente isoladas por risco de desabamento da estrutura da fábrica, forçando o abrigo temporário dos moradores em casas de parentes. Uma quarta casa, na Rua Jerônimo Marcucci, teve a área externa bloqueada.
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) classificou a ocorrência como de alta complexidade em razão do grande volume de material plástico e de combustíveis líquidos (como óleos de máquinas) estocados no local, o que acelerou a propagação do fogo. Durante os trabalhos de rescaldo, os militares precisaram realizar a queima residual do gás do sistema industrial para evitar novas explosões.
Irregularidade e assistência aos afetados
O CBMMG confirmou que o complexo industrial não possuía o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) definitivo. A fábrica operava com um processo de regularização pendente; em 2022, a empresa chegou a ser notificada por não executar o projeto aprovado e, em 2025, submeteu uma nova proposta, mas não solicitou a vistoria final de liberação. As causas do incêndio serão apuradas pela Polícia Civil assim que o perímetro for totalmente liberado.
Em nota, a Suggar Eletrodomésticos informou que cadastrou as famílias atingidas pelas interdições e mantém contato direto com os moradores do entorno para prestar assistência. A empresa afirmou que disponibilizará atendimento médico e psicológico nos próximos dias e aguarda a conclusão dos laudos finais da Defesa Civil para definir os próximos passos de recuperação e acolhimento.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



