Consumidores relatam aumento de preços no pão de sal e no cafezinho em padarias de BH: 'Um absurdo'
No fim das contas, sofrem o consumidor, que precisa desembolsar mais dinheiro para lanchar, e o empresário, que passa dificuldade para manter o estabelecimento

Do cafezinho pingado até ao bom e tradicional pão de queijo. A percepção de quem frequenta padarias de Belo Horizonte é de que esses e outros produtos ficaram mais caros nos últimos meses.
Na região de Venda Nova, moradores reclamam dos preços salgados. Esse é o caso da diarista Gisele Jaime: "Estão um absurdo os preços. O café que era R$ 1 está R$ 2,50,". Fernando Augusto comprou cinco coxinhas, quatro pães, duas empadas, uma Coca-Cola e um suco maracujá para um lanche na empresa que trabalha. "Paguei R$ 73,98. Percebi o aumento no pão, no salgado e no refrigerante", contou.
"O pão de queijo subiu 40%", disse Jeanne D'arc de Almeida Ferreira. Há quem prefira comprar no Centro para economizar.
A percepção do consumidor é confirmada pelo Sindicato e Associação Panificação e Confeitaria de MG (Amipão) que aponta para uma variação de 47% no preço no quilo do pão de sal. O produto é encontrado de R$ 18,99 o quilo até R$ 27,99.
"Temos uma guerra, intempéries da natureza e o dólar que afetam o setor. Também tivemos as altas de energia elétrica e a retenção de mão de obra, que temos brigado muito com os aplicativos para a gente reter o funcionário dentro do nosso negócio", explicou o presidente da Amipão, Vinícius Dantas.
O café teve, nos últimos dois meses, um reajuste no pó de mais de 40%. "Se a matéria-prima sobe, nós temos que subir", explicou.
O especialista ainda explica que padarias que acabam fechando as portas diante a volatilidade do mercado. "Temos vistos pequenos negócios fechando. Isso prejudica muito o setor e o próprio consumidor, já que o consumidor perde a padaria próxima da casa dele e, consequentemente, a possibilidade de compra", disse.
O aumento no preço das padarias também acompanha a alta da cesta básica, que subiu 7% em Belo Horizonte nos últimos 12 meses e passou de R$ 683 para R$ 733 - o que corresponde a mais da metade de um salário mínimo.
Júlio Vieira é repórter da Itatiaia.



