Belo Horizonte
Itatiaia

BH: 'Achava que era burra'; relatos expõem impacto do bullying nas escolas

Dados do IBGE expõem cenário nas escolas e reforçam necessidade de acolhimento aos estudantes

Por
Marcelo Carmargo/Agência Brasil

Após levantamento do IBGE que aponta um número expressivo de estudantes que ainda enfrentam bullying, problemas de saúde mental e até casos de violência sexual nas escolas, especialistas ouvidos pela Itatiaia defendem o fortalecimento da conexão entre instituições de ensino, famílias e alunos como caminho para enfrentar o problema. “A desconexão dos adolescentes com a escola já vem sendo apontada há alguns anos.

Pesquisas como ‘Nossa Escola em Reconstrução’, realizada pelo Porvir, e a escuta nacional dos adolescentes, feita pelo MEC, mostram que muitos estudantes não veem sentido no que aprendem, não se sentem acolhidos e sentem falta de outras formas de aprender, como projetos e atividades externas. Isso acaba gerando afastamento da escola.

''Para mudar esse cenário, é essencial que a escola escute essas demandas e torne o ensino mais participativo, criando um ambiente que dialogue com as juventudes e favoreça o aprendizado. Quando os estudantes veem significado no que estão aprendendo, as chances de consolidar esse conhecimento e avançar para conteúdos mais complexos aumentam”, explica a gerente de desenvolvimento e inovação em educação do Instituto Reúna, Priscila Oliveira.

Na prática, os impactos dessa realidade são sentidos pelos próprios estudantes. “Na minha situação, eu tive de ouvir certas coisas quando eu era mais nova, como que eu era muito lerda, que eu era muito burra. Isso dificulta o nosso desenvolvimento, ainda mais quando a gente é criança, porque passa a acreditar que tudo que falam é verdade. Eu fiquei com isso por muito tempo e é muito triste, porque a gente acha que é brincadeira e começa a normalizar, mas não é”, relata a estudante Sofia Geardini, de 17 anos.

O estudante Jorge Bragança Borges, de 13, também já passou por situações de desrespeito em sala de aula, mas conseguiu superar com apoio. “No quarto ano tinha um colega que ficava fazendo coisas que eu não gostava. Eu era meio inocente na época. Foram brincadeiras que começaram bobas, mas me deixavam mal. Minha mãe me ajudou muito, meus colegas também e os professores, quando perceberam que eu estava triste”, conta.

Diante desse cenário, escolas têm adotado estratégias de prevenção e acolhimento. “Nós trabalhamos com uma política de proteção integral às crianças e adolescentes. Dentro dessa política, desenvolvemos projetos voltados à saúde mental, ao bullying e ao cyberbullying, à consciência negra e à conexão segura, que trata muito dessas questões nas redes sociais. Também promovemos palestras para estudantes e famílias, porque hoje, com o uso de telas, é fundamental que a escola ajude a explicar o que é o bullying e por que ele acontece”, afirma a orientadora educacional do Colégio Marista Padre Eustáquio, Edlin Braga Barbosa.

Por

Apaixonado por rádio, sou um bom mineiro que gosta de uma boa conversa e de boas histórias. Além de acompanhar a movimentação do trânsito, atuo também na cobertura de vários assuntos na Itatiaia. Sou apresentador do programa 'Chamada Geral' na Itatiaia Ouro Preto.