Após perdas de R$ 1,2 bilhão, setor florestal e MG ampliam combate a incêndios
Parceria entre setor florestal, governo e bombeiros foca em resposta rápida, uso de tecnologia e cooperação técnica para proteger lavouras e matas nativas na estiagem de 2026

Para enfrentar o período de estiagem de 2026, Minas Gerais estruturou uma força-tarefa integrada entre o setor produtivo florestal, o governo estadual e o Corpo de Bombeiros Militar. A mobilização é uma resposta direta ao devastador ciclo seco anterior, que queimou cerca de 305 mil hectares no estado e gerou prejuízos estimados em R$ 1,2 bilhão em áreas produtivas, vegetação nativa e operações industriais.
O modelo abrange novos protocolos de resposta rápida, investimentos privados e a formalização de Acordos de Cooperação Técnica (ACT). Liderada pelo Corpo de Bombeiros e por entidades como a Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), a estratégia inclui a atuação no Programa Minas Contra o Fogo e a expansão do Plano de Auxílio Mútuo Florestal (PAM Florestal), rede colaborativa entre empresas para compartilhamento de brigadas, caminhões-pipa, torres de monitoramento e tecnologia de detecção via satélite e sensores em tempo real.

Peso econômico e ecológico do setor florestal em MG
Liderança nacional: o estado concentra a maior área de florestas plantadas do Brasil, somando 2,3 milhões de hectares (24% do total nacional) espalhados por 803 municípios (94% do território mineiro).
Preservação ambiental: paralelamente à área produtiva, o setor privado mantém sob conservação mais de 1,3 milhão de hectares de vegetação nativa — extensão equivalente a toda a área de cultivo de café no estado.
Impactos industriais: os prejuízos de R$ 1,2 bilhão do último ciclo afetaram diretamente cadeias produtivas estratégicas como madeira, celulose e energia.
Integração agiliza resposta no campo
A assinatura do Acordo de Cooperação Técnica com o Corpo de Bombeiros permite que brigadas privadas atuem de forma coordenada com as forças estaduais, compartilhando apoio logístico e recursos operacionais em áreas críticas de transição entre lavouras florestais e reservas nativas.
"A prevenção precisa ser estruturada de forma coletiva. O setor florestal investe de maneira permanente em brigadas, monitoramento e infraestrutura, mas a efetividade da resposta depende da integração com o poder público. A experiência dos últimos anos mostra que a maior parte dos grandes incêndios poderia ser evitada com detecção precoce e manejo preventivo", afirma Adriana Maugeri, presidente executiva da AMIF.
A velocidade na contenção inicial dos focos de calor é apontada pelos técnicos como o fator chave para conter danos maiores. "Em muitos casos, minutos fazem diferença entre um foco controlado e um incêndio de grandes proporções. A integração operacional é o ponto central dessa estratégia", destaca a engenheira florestal Laura Lima, coordenadora técnica da entidade.
Além das patrulhas em solo, o plano para 2026 prevê a intensificação de ações educativas em comunidades rurais e a criação de aceiros preventivos ao longo de rodovias para mitigar os riscos agravados pelas estiagens severas e altas temperaturas.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



