Amiga diz que policial que se trancou em motel havia descoberto traição
Militar se escolheu motel onde casal de amantes se encontrava; após mais de quatro horas, homem deixou estabelecimento em ambulância do Samu

A amiga do policial militar que havia se trancado, em surto, em um motel no bairro Estoril, em Belo Horizonte, na tarde desta quarta-feira (10), revelou que a atitude do homem foi motivada por uma traição.
Em entrevista à imprensa, a técnica de enfermagem Cleo Lacerda contou que o policial havia descoberto uma traição recentemente.
"Ele descobriu uma traição [da ex-esposa] com um médico do Hospital Vila da Serra. Ele invadiu o Vila da Serra e só não matou o médico porque ele não estava armado. Ele só deu um tapa na cara do médico. Ele tem todas as ligações dela com o médico e um dos motéis que ela veio foi aqui [Motel Barão]", disse.
[read_too_auto query_format="category" posts_limit="3" posts_origin="mg" title="Leia também"][/read_too_auto]
Policial estava afastado por problemas psicológicos
O militar estava afastado da corporação por problemas psicológicos. Ele já havia tido o porte e a posse de arma de fogo retirados pela Polícia Militar.
"Ele realmente estava mal. Em um dos nossos últimos encontros, ele estava de férias. Eu sempre conversava com ele. 'Não faz nada, não vale a pena. Pensa que você tem duas filhas'", disse a amiga. "Ele era muito família. Por querer dar o melhor para ela e as filhas, nos dias de folga ele trabalhava como segurança", acrescentou.
Cléo afirma que o militar chegou a postar uma foto da farda da PM e das duas filhas, com um texto de despedida, nas redes sociais. "Quando ele mandou, eu mandei uma mensagem e falei: 'não faz nada, não vale a pena, pensa nas meninas'. Fiquei ligando, ligando, ligando. Eu só consegui vir agora. Eu estava muito preocupada", contou.
"Eu entendi que ele ia se matar por que ele estava falando para as meninas: 'Papai amará vocês eternamente'. Mandou pedindo desculpas para as filhas e para os irmãos, [dizendo] que não era pra que eles se culpassem", finalizou.
Militar tinha mandado de prisão em aberto por agredir esposa
Segundo a apuração da Itatiaia, o militar teria ido para o motel após descobrir que havia um mandado de prisão em aberto contra ele. Na segunda-feira (8), o policial descumpriu uma medida protetiva e agrediu a esposa. Os dois estariam passando por um processo de separação.
Seis horas de negociação
Em surto, o agente havia dado entrada no Motel Barão, na avenida Barão Homem de Melo, no bairro Estoril, na região Oeste de Belo Horizonte, na noite de terça-feira (9). Ele estava sozinho e armado.
Na tarde desta quarta-feira (10), a Polícia Militar recebeu a informação de que o militar estaria em surto e ameaçando tentar contra a sua própria vida. O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), foi acionado para ajudar a negociar a rendição do policial. A negociação durou cerca de seis horas.
O Tenente-Coronel Flávio Santiago, porta-voz da Polícia Militar, afirmou que o militar foi socorrido com um tiro na cabeça e que o estado de saúde é considerado crítico. O militar deixou o motel em uma maca do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), por volta das 16h50. Ele foi levado para o Hospital João XXIII, em estado gravíssimo.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.
Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.
