Itatiaia

Agiotas usam a internet para prometer dinheiro fácil, ameaçam vítimas e cobram juros exorbitantes

Suspeitos criam aplicativos, disponibilizam para lojas oficiais e fazem promessas de empréstimos fáceis e sem consulta em órgãos de proteção de crédito; a Itatiaia mapeou ao menos doze casos parecidos, e a Polícia Civil identificou dois casos com modus operandis parecido em Minas Gerais

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Agiotas digitais prometem empréstimos fáceis para atrair vítimas
Agiotas digitais prometem empréstimos fáceis para atrair vítimas • Reprodução

Escondidos atrás da promessa de empréstimos rápidos e desburocratizados, agiotas povoam as lojas de aplicativos de smartphones, ameaçam vítimas e forçam pagamentos de juros exorbitantes nas plataformas. A reportagem da Itatiaia encontrou, ao menos, uma dúzia de aplicativos do tipo, que prometem crédito fácil e barato, mas que acabam se tornando um pesadelo para quem os utiliza.

Conforme fontes, que preferiram não se identificar, relataram, depois dos empréstimos, uma série de ameaças, tanto por e-mail, WhatsApp e por ligação, é feita contra os clientes, que ficam à mercê dos criminosos para quitar valores expressivamente maiores do que os contratados inicialmente.

Em uma das ocasiões, foi prometida a quantia de R$ 1,2 mil para uma cliente, que recebeu apenas R$ 600 e precisou arcar com o valor completo do empréstimo para não ser mais ameaçada. Ela conta que chegou a receber mais de 30 ligações em um único dia, de números com identificação de vários estados. “Precisava do dinheiro e não achei que houvesse alguma irregularidade. Fui pega de surpresa com as ameaças”, conta.

“Entraremos em contato com seus familiares e amigos. Evite multas, juros e a inclusão do seu nome na lista negra dos órgãos de proteção ao crédito. Ao efetuar o pagamento hoje, seu compromisso de pagamento é registrado, tornando você elegível para futuros empréstimos ou descontos mediante a quitação total do empréstimo”, afirma uma das mensagens encaminhadas à vítima.

“AVISO DE ÚLTIMO PAGAMENTO: APÓS ESSE HORÁRIO, SUAS CONTAS SERÃO REPASSADAS PARA OUTRA EMPRESA DE COBRANÇA NÃO PROFISSIONAL, QUE DIVULGARÁ SEUS DADOS E IMAGENS PARA SEUS CONTATOS E REDES SOCIAIS”, pontua outra, em caixa alta.

Os aplicativos têm diversos nomes, mas funcionam todos da mesma maneira e com interface parecida – indicando unidade na atuação dos criminosos. Primeiro, os agiotas pedem acesso a informações importantes no celular das vítimas, como contatos, câmera e localização, além de requisitarem um registro com dados básicos, dentre eles, número de CPF, telefones de pessoas próximas, endereço e uma fotografia.

Depois, limites de crédito são liberados exponencialmente, com valores inicialmente baixos até cifras que chegam aos R$ 10 mil. Segundo apurado pela reportagem, as cobranças são semanais, mas as ameaças começam mesmo antes do fim do prazo estipulado para pagamento. Durante a apuração, alguns aplicativos desapareceram das lojas, enquanto outros novos surgiram.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que, até o momento, foram identificados dois registros com modus operandi semelhantes aos descobertos pela reportagem. “Em ambos os casos, foram instaurados procedimentos investigativos com o objetivo de reunir informações preliminares para a devida apuração da autoria e da materialidade delitivas. Todas as medidas legais cabíveis estão sendo adotadas. Outras informações serão divulgadas oportunamente”, diz nota à imprensa.

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.

 

 

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