Polícia Civil de São Paulo prende suspeito envolvido em ataque hacker que pode ter desviado até R$ 1 bilhão

João Nazareno Roque, de 48 anos, operador de TI da C&M Software, foi preso e confessou ter sido o facilitador da ação criminosa

João Nazareno Roque sendo preso em São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo prendeu um suspeito envolvido em um dos maiores ataques hackers ao sistema financeiro brasileiro. O caso, que envolve a empresa C&M Software, prestadora de serviços para bancos menores e fintechs, resultou em um prejuízo estimado entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão.

João Nazareno Roque, de 48 anos, operador de TI da C&M Software, foi preso e confessou ter sido o facilitador da ação criminosa. Segundo ele, foi cooptado na saída de um bar por R$ 100 mil para fornecer suas senhas de acesso. Roque afirmou que a quadrilha deve ter cinco membros, mas alega não conhecer pessoalmente os outros envolvidos.

Operação criminosa

O delegado Renan Topan, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), explicou o modus operandi da quadrilha.

“Eles se passavam pela empresa vítima, no caso a BMP, determinando transferências Pix para outras empresas. Foi uma sequência em massa de transferências via Pix, o que levou ao acúmulo de uma grande quantidade de dinheiro”.

Uma conta bancária ligada ao grupo criminoso, contendo R$ 270 milhões, já foi bloqueada pelas autoridades. No entanto, o nome do responsável por essa conta não foi divulgado, pois a investigação segue em sigilo.

A BMP, única empresa que prestou queixa até o momento, sofreu um prejuízo de R$ 541 milhões, valor que foi desviado em apenas três horas. A polícia ressaltou que nem o Banco Central nem pessoas físicas sofreram prejuízos diretos com a ação.

As investigações continuam em andamento, com o auxílio do Ministério Público e da Polícia Federal, visando identificar e prender os demais envolvidos neste ataque cibernético de grandes proporções.

C&M Software

“A C&M Software informa que segue colaborando de forma proativa com as autoridades competentes nas investigações sobre o incidente ocorrido em julho de 2025.

Desde o primeiro momento, foram adotadas todas as medidas técnicas e legais cabíveis, mantendo os sistemas da empresa sob rigoroso monitoramento e controle de segurança.

A estrutura robusta de proteção da C&M Software foi decisiva para identificar a origem do acesso indevido e contribuir com o avanço das apurações em curso.

Até o momento, as evidências apontam que o incidente decorreu do uso de técnicas de engenharia social para o compartilhamento indevido de credenciais de acesso, e não de falhas nos sistemas ou na tecnologia da CMSW.

Reforçamos que a CMSW não foi a origem do incidente e permanece plenamente operacional, com todos os seus produtos e serviços funcionando normalmente.

Em respeito ao trabalho das autoridades e ao sigilo necessário às investigações, a empresa manterá discrição e não se pronunciará publicamente enquanto os procedimentos estiverem em andamento.

A CMSW reafirma seu compromisso com a integridade, a transparência e a segurança de todo o ecossistema financeiro do qual faz parte princípios que norteiam sua atuação ética e responsável ao longo de 25 anos de história.”

Banco Central

O Banco Central esclareceu que nem a C&M, nem os seus representantes e empregados atuam como seus terceirizados ou com ele mantêm vínculo contratual de qualquer espécie.

“A empresa é uma prestadora de serviços para instituições provedoras de contas transacionais”, afirmou o BC.

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Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduando em política e relações internacionais. Tem mais de 12 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, onde nasceu, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.

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