O que é ser um bom professor?
Pesquisa realizada na Faculdade de Educação da USP escuta professores de todo o Brasil sobre o que é ser um bom professor

Começo esse texto perguntando: quem foi o melhor professor que você já teve? Quais as características mais marcantes dele?
Dizem que o Brasil tem 200 milhões de técnicos de futebol, já que todo brasileiro tem algum palpite sobre seu time do coração e a seleção brasileira. Eu diria que nosso país tem o mesmo número de especialistas em educação, afinal, todo mundo tem opiniões sobre a escola e ideias para que ela cumpra melhor o seu papel.
Finalizei, recentemente, minha pesquisa de doutorado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Perguntei a 286 professoras e professores das cinco regiões geográficas do Brasil: o que é ser um bom professor, na sua visão?
Os participantes da pesquisa incluíram muitas características nas suas respostas. Então, vou listar as principais:
- Um bom professor trabalha com excelência: tem conhecimento do conteúdo que ensina, é inovador na forma de ensinar, promove o desenvolvimento integral dos seus alunos e está sempre investindo na própria formação, em busca de melhorar a qualidade do trabalho que realiza;
- Um bom professor é ético: tem responsabilidade pelos alunos, compromisso com o aprendizado de todos os estudantes e valoriza a própria profissão;
- Um bom professor é engajado: ama o que faz (mesmo sabendo que nem sempre é um trabalho simples e prazeroso), é dedicado às atividades específicas dos professores (planejar aulas, participar de reuniões, avaliar aprendizagem, entre outros), está disposto a superar as dificuldades do cotidiano;
- Um bom professor é empático: leva em consideração as necessidades dos alunos, busca conhecer o contexto desses alunos, constrói vínculo com eles e é capaz de se colocar no lugar dos estudantes diante de situações difíceis.
Você pode estar pensando: esse super professor existe na vida real? É possível alguém ter todas essas e tantas outras características que a pesquisa identificou? Não! É bom lembrar que esse é um ideal do que é ser bom professor, projetado por quem conhece essa profissão de dentro.
Paulo Emílio Andrade é presidente do Instituto iungo, organização sem fins lucrativos que tem o propósito de transformar, com os professores, a educação no Brasil. É mestre e doutor em educação e pesquisador do Núcleo de Novas Arquiteturas Pedagógicas da USP.



