A opala piauiense, pedra preciosa única e valiosa encontrada na cidade de Pedro II, no Piauí, vive um novo ciclo de valorização e reconhecimento global. A tendência foi impulsionada por um investimento estratégico de R$ 1,6 milhão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) no Arranjo Produtivo Local (APL) da Opala.
Coordenado pelo professor Érico Gomes, do Instituto Federal do Piauí (IFPI), o projeto une mineradores, artesãos, empreendedores e instituições de pesquisa, com o objetivo de agregar valor à joia piauiense, reconhecida por sua beleza singular e dureza. O resultado deste ciclo de investimentos é a qualificação profissional, a reestruturação institucional e o início de uma estratégia de internacionalização.
O APL da Opala assume também um papel na estruturação do turismo mineral de Pedro II. A reativação do Centro de Tecnologia e Artefatos Minerais (Cetam) e a certificação da primeira turma de ourivesaria começam um ciclo de inovação, empreendedorismo e geração de renda.
Para o professor Érico Gomes, esta representa “a melhor oportunidade em 80 anos” desde o início da atividade do garimpo da Opala de Pedro II, ainda nos anos 40 do século passado.
Projeção global
A política de fomento e capacitação do APL da Opala, apoiada pela Fapepi, culminou em uma série de ações estratégicas que garantiram a visibilidade e o reconhecimento internacional da gema de Pedro II em 2025.
Um dos marcos significativos de inserção no mercado global ocorreu em janeiro, quando o artesão e joalheiro Juscelino Araújo representou o Piauí na Tucson Gem Fair 2025, maior e mais antigo evento de gemas e minerais do mundo, realizado nos Estados Unidos.
A participação no evento, considerado a maior feira internacional de jóias e pedras preciosas, foi pioneira, com um estande exclusivo dedicado às opalas brasileiras. Segundo a Fapepi, esse passo marcou a inserção estratégica da opala de Pedro II no mercado internacional.
Em março, ocorreu um movimento de reforço à sustentabilidade, uma equipe de professores da Engenharia de Minas da UFC (campus Crateús) esteve em Pedro II para um projeto de extensionismo, capacitando garimpeiros e pequenos mineradores em segurança e boas práticas de extração.
No mês de abril, o APL da Opala celebrou a certificação da primeira turma do curso de Ourivesaria do Cetam. Em maio, uma comitiva do projeto esteve em São Paulo, participando da Feira Tecnológica Tecnogold, um dos principais encontros do setor de joias, gemas e minerais no país. A presença no evento foi fundamental para fomentar redes de negócios e atrair a atenção de investidores e pesquisadores nacionais.
O reconhecimento da qualidade e singularidade da opala piauiense veio em junho de 2025, com a visita de uma equipe de pesquisadores do Instituto Gemológico da América (Gemological Institute of America – GIA). Considerado o maior e mais respeitado instituto de gemologia do mundo, o GIA esteve em Pedro II com o objetivo de coletar amostras e estudar o “DNA das pedras” da região.
O estudo busca traçar a composição química e mineralógica das opalas para construir uma base de dados que possibilite a certificação de origem em nível mundial.
Para Brian Charles Cook, geólogo e fornecedor de gemas, a medida é essencial para valorizar a pedra no mercado internacional e combater fraudes, conferindo à opala piauiense um selo de credibilidade global.
“A opala daqui tem características únicas. Quando entendemos sua formação, podemos certificar sua origem. Isso é fundamental para valorizar a pedra no mercado internacional e combater fraudes”, afirmou o geólogo.
Em outubro, o coordenador do projeto, professor Érico Gomes, foi convidado pela Confederação Mundial de Joalheria (CIBJO) a integrar um seleto grupo de 15 especialistas internacionais responsáveis pela elaboração do Guia Internacional da Opala.
Ao participar da criação do documento, que definirá padrões de classificação e terminologia global, o professor assegura a inserção definitiva da opala de Pedro II no padrão global de qualidade.