'Não queiram saber a dor que senti', diz mãe após Isabelle Caracristi ser encontrada morta em Fortaleza
Isorlanda Caracristi publicou nas redes sociais um vídeo pedindo por respostas sobre a morte da filha, que tinha 22 anos

Isorlanda Caracristi, mãe de Isabelle Caracristi, publicou nas redes sociais um vídeo pedindo por respostas sobre a morte da filha, que tinha 22 anos. Segundo ela, a jovem morreu no último domingo (13) no condomínio onde morava com o namorado e a família dele, em Fortaleza. No entanto, Isorlanda afirma que só ficou sabendo da morte da filha um dia depois, por meio da síndica do prédio. Desde então, ela relata que não conseguiu contato com o companheiro da jovem e não tem nenhuma informação sobre as circunstâncias da morte de Isabelle. No vídeo, Isorlanda detalha a situação e faz um apelo por justiça.
“O que aconteceu com a minha filha que até hoje eu não sei? Por que vocês, essa família onde ela morava, não me avisaram da morte da minha filha? Por que não me avisaram? Por que não me avisaram? Por que me deixaram saber essa notícia no outro dia, já no começo da tarde, pela síndica? Por que deixaram a minha filha quase como indigente lá no IML? Por que até hoje, cinco dias após a morte da minha filha, ninguém da família está em contato comigo?”, questiona Isorlanda Caracristi emocionada.
No vídeo, ela conta que a filha havia conhecido o namorado em julho deste ano, quando começou um estágio em uma empresa de advocacia em Fortaleza. O homem era chefe de Isabelle. Isorlanda relata no vídeo que alertou a filha sobre um possível assédio por parte do homem. “Ela me falou que o chefe dela havia gostado demais do desempenho [dela] e aí o chefe dela levou [ela] para trabalhar diretamente com ele. De tanto ter gostado do desempenho (...) Tirou ela do setor onde ela estava, levou para o setor dele, onde dia ele era o gestor desse setor”, afirma.
Isorlanda conta também que estranhou quando a filha comunicou que estava namorando com esse chefe, menos de dez dias depois de conhecê-lo. A mãe de Isabelle relata também que chegou a conhecer o homem, que seria cerca de 10 anos mais velho que a jovem, em um almoço. Nesse encontro, Isorlanda afirma que o homem contou sobre o histórico familiar dele e afirmou que “tinha se apaixonado mesmo à primeira vista” por Isabelle.
Com o passar do tempo, a mãe de Isabelle conta que a filha começou a ficar cada vez mais na casa do namorado. “Claro que eu tive grandes discussões com ela sobre isso. É claro que eu não quis, mas ela tinha 22 anos, [era] de maior. E eu fiquei com receio de brigar muito com minha filha e nós nos afastarmos cada vez mais”, conta.
Em determinado dia, Isorlanda relata que a filha contou que o namorado havia pedido para usar o cartão da jovem e que ele queria colocar uma empresa no nome dela. “Enlouqueci, briguei, né? Não quis mais deixar que ela voltasse, mas ela estava simplesmente apaixonada, muito apaixonada, a cabeça totalmente feita”, afirma a mãe da jovem.
Depois, Isorlanda relata que a filha comunicou que se mudaria de vez para morar com o namorado.
No sábado, 12 de setembro, Isabelle foi para a casa da mãe, ocasião em que relatou que estava com torcicolo. “No sábado fomos no aniversário do tio dela, do meu irmão. Dormiu comigo aqui em casa. No domingo, fui acordá-la para dar o relaxante muscular, cuidar dela, mas eu a senti muito muito muito conflituosa e o telefone não parava. Gente, essa menina, o telefone era o tempo inteiro ela recebendo mensagens, o tempo inteiro, o tempo inteiro, o tempo inteiro, não parava. Não parava”, relata no vídeo.
No final da tarde domingo, 13 de setembro, Isorlanda conta que a filha comunicou que iria para uma procissão com o namorado e a família dele, mas que voltaria para casa depois. Ainda no domingo, Isorlanda relata que percebeu que a filha recebia mensagens do namorado o tempo todo. “Vi que era toda hora chegando mensagem. Teve um momento em que eu vi que era ele. Muitas mensagens, uma atrás da outra. Muitas mensagens. Então, ele era extremamente controlador, extremamente controlador, fora do normal, obsessivo, obsessivo, controlador o tempo inteiro”, diz.
Isorlanda conta que, por volta de 19h daquele domingo, recebeu uma mensagem da filha, que lhe pedia para olhar o frango que havia deixado na air fryer. “Aí ela [mandou] logo em seguida, um pouco depois: ‘Mãe, eu te amo’. Aí eu disse: ‘Eu também te amo. Não esquece de tomar o relaxante muscular’”, relembra. Depois dessas mensagens, Isorlanda relata que não teve mais contato com a filha. Ela diz que estranhou o fato de a menina não ter mandado mensagem para desejar boa noite, como sempre fazia.
Na manhã seguinte, a mãe de Isabelle conta que tentou contato com a filha de novo, mas não teve retorno. Isorlanda diz que tentou falar com o namorado de Isabelle, mas ele não a atendeu e nem respondeu as mensagens dela. “E aí eu percebi, para minha surpresa, que eu estava bloqueada. Aí fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada. Bloqueada. Aí eu me desesperei”, afirma.
Isorlanda relembra que chamou o irmão para ir até a casa do namorado da filha. Quando ela chega no condomínio, a mãe da jovem diz que percebeu uma movimentação estranha entre os funcionários e pessoas no local. Em determinado momento, um funcionário chamou a síndica do prédio.
“Quando nós entramos na sala da síndica, ela e um funcionário pálidos, tremendo feito varas”, relembra. Nesse momento, Isorlanda afirma que a síndica lhe comunicou que Isabelle havia morrido na noite anterior e já estava no Instituto Médico-Legal. “Gente, vocês não queiram saber o que é isso não. A dor que eu senti é como se estivesse rasgando todo o meu corpo”, diz visivelmente abalada.
Desde então, Isorlanda relata que não teve qualquer tipo de contato com o namorado da jovem ou com alguém da família dele. Segundo a mãe de Isabelle, eles sequer foram ao enterro dela.
“Gente, não estamos lidando com pessoas, não. Estamos lidando com monstros. Monstros. Canalhas. Covardes. Nós estamos lidando com essas pessoas aí. Com esse nível de gente. Porque hoje é o quinto dia e ninguém me deu um oi. Ninguém da família me deu um oi. Eu preciso de respostas. Eu preciso de respostas. E eu quero justiça por minha filha. Eu quero justiça pela minha filha Isabelle Caracristi”, diz no vídeo.
Na postagem, Isorlanda pede que, caso alguém tenha informações sobre o que pode ter ocorrido, entre em contato com o filho dela, Rafael Magalhães pelo telefone (85) 98884-8162.
A Itatiaia entrou em contato com a Polícia Civil do Ceará para saber se o caso está sendo investigado, se o laudo de necropsia foi finalizado e se há indícios de que se trata de um homicídio. A reportagem aguarda retorno da instituição.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.



