Vídeo: médica é presa suspeita de matar ex-marido a tiros; entenda o caso

Alan Cavalcante, também médico, foi morto em frente ao local onde a ex trabalha; Nádia Tamyres alega legítima defesa e defesa diz que ela está ‘muito abalada’

Médico é morto a tiros em Arapiraca; ex-esposa é suspeita do crime

O médico Alan Carlos de Lima Cavalcante foi morto a tiros na tarde de domingo (16) em frente a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em Arapiraca, Alagoas. A principal suspeita do crime é a ex-esposa, a médica Nádia Tamyres, que foi presa nesta segunda-feira (17), no presídio Santa Luzia em Maceió.

O crime

Segundo a Polícia Civil de Alagoas (PCAL), no domingo, Alan Carlos estava dentro de um carro, estacionado em frente à UBS onde a ex-mulher trabalha, quando foi atingido por vários disparos e morreu no local.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Nádia chega em um veículo preto. O ex-marido está dentro de um carro vermelho, parado sob uma árvore, aparentemente conversando com uma mulher que, segundo Nádia, seria sua cunhada, casada com o irmão da médica.

As imagens mostram Nádia descendo do carro já com a arma apontada para o ex-marido. Ela circula ao redor do veículo por alguns segundos. O carro de Alan chega a dar ré, mas permanece no local. Não é possível visualizar o momento exato dos disparos.

A médica foi detida ainda no domingo pela Polícia Militar e conduzida à sede da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Maceió, onde alegou ter agido em legítima defesa. Após análise dos indícios, a PCAL lavrou auto de prisão em flagrante por homicídio. Ela passou por exame de corpo de delito e aguarda decisão da Justiça.

A motivação oficial ainda não foi divulgada, e o inquérito segue em andamento.

Um relatório do 3º Batalhão da Polícia Militar, citado pelo g1, apresenta relato de uma testemunha que afirma que Alan havia ido à UBS entregar um bolo a uma conhecida. Segundo essa versão, a suspeita chegou ao local já com a arma em punho e teria dito:

O médico teria tentado fugir dando ré, mas Nadia começou a atirar. Ele recuou alguns metros, mas foi atingido no peito. Ainda de acordo com o relato, ela teria ameaçado a testemunha após os disparos: “Só não vou lhe matar porque acabou a munição.”

A filha do casal estava com a avó materna no momento do crime.

O que diz a defesa de Nádia?

O advogado de Nádia, Luiz Lessa, afirmou em entrevista à Itatiaia, nesta segunda (17), que a médica está “muito abalada” com a prisão e que o caso “não ocorreu da forma como foi inicialmente retratado”. Segundo ele, a cliente não agiu por premeditação.

De acordo com Lessa, Nadia vinha enfrentando “perseguições constantes” e já havia relatado violências do ex-marido contra a filha do casal, que hoje está com familiares.

O advogado diz que a defesa possui elementos que “apontam para indícios de estupro de vulnerável” cometido por Alan Carlos contra a criança, mas ressalta que essa alegação ainda dependerá de comprovação no curso do processo. Segundo ele a criança está com familiares.

Sobre o dia do crime, Lessa afirma que o médico não poderia se aproximar do local por causa da medida protetiva e disse que a rua do trabalho de Nádia não fazia parte da rota do médico, que não trabalhava ali.

Ele também questiona a presença da cunhada de Nádia na cena, alegando comportamento “suspeito” e afirmando que ambos “sabiam que não poderiam estar ali”.

Segundo ele, a versão de que o médico teria ido ao posto apenas para entregar um bolo é “mal contada”. O advogado sustenta que a médica acreditou estar diante de uma emboscada e que sua intenção era proteger a a si mesma.

“A defesa vai trabalhar para garantir que ela responda ao processo em liberdade, pois ela não oferece risco”, finalizou.

Versão da médica

Em entrevista à TV Pajuçara, Nadia afirmou que agiu motivada por medo. Disse que os dois viveram juntos por cerca de 20 anos, desde que se casaram, quando ela tinha 15 anos.

Ela declarou ter denunciado o ex-marido por abusar da filha do casal há cerca de um ano e meio, o que levou à concessão de uma medida protetiva. A médica também afirma ter medida protetiva contra um primo de Alan, que, segundo ela, a ameaçaria a mando do ex-companheiro.

Nadia afirmou que, cerca de uma semana antes do crime, esse primo teria sido visto na esquina da unidade de saúde onde ela trabalha. Ela relata que chamou a polícia, mas que o homem apresentou documentos falsos e foi liberado.

No dia do crime, a versão dela é de que ela viu o carro de Alan parado próximo à UBS e acreditou que se tratava de uma emboscada. Ela explicou que tem posse de arma por morar na zona rural, e que decidiu atirar porque acreditou que seria atacada.

Segundo seu relato: Matei ele antes de ele me matar. Ele tinha medida protetiva. O que ele foi fazer lá?

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

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