Morador de Olinda tem consulta médica confirmada pelo SUS dois anos depois de morrer
A filha dele recebeu a mensagem de confirmação um dia depois do aniversário de dois anos da morte do pai
Valdir Cândido Duarte, morador de Olinda, Pernambuco, foi mais um dos brasileiros que morreu enquanto esperava por atendimento na fila do SUS. A filha dele, Débora Pantaleão, recebeu, nessa terça-feira (20), uma mensagem para confirmar a consulta do pai com um neurologista um dia depois que a morte dele completou dois anos.
"Parecia um deboche. No aniversário de morte dele, o cemitério me liga dizendo: 'Você tem interesse na ossada? Você tem até hoje'. Na sequência, recebo o e-mail (da confirmação da consulta). Meu pai faleceu e, dois anos depois, a confirmação dessa consulta que ele tanto esperou em vida para ter um acompanhamento digno chegou", disse Débora em entrevista ao g1.
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A família de Valdir precisou custear o tratamento dele pela rede privada de saúde, pagando por exames e pelas consultas. "Só na ressonância (magnética), paguei R$ 2 mil. Da eletroneuromiografia, que era para descartar uma suspeita de ELA (esclerose lateral amiotrófica), paguei na faixa de R$ 1000. A gente usou o cartão de crédito, a família se reuniu e pagou. E nisso a gente ficou esperando o agendamento com o neuro do SUS e esse retorno nunca aconteceu", afirmou Débora.
Em nota ao g1, a prefeitura de Olinda lamentou o ocorrido e explicou que "a marcação de consultas é feita com base em informações preenchidas, alimentadas num sistema de fila de espera, que prioriza o tempo de entrada do paciente e a gravidade clínica do usuário" e reconheceu que o tempo de espera "pode ser excessivo", devido à alta demanda, incompletude das informações nos encaminhamentos ou fragilidades na comunicação com o usuário, como a desatualização de dados cadastrais.
*Sob supervisão de Enzo Menezes
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



