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'Cidade está irreconhecível, água chegou a lugares inimagináveis', diz agricultor que perdeu safra no RS

Morador de Igrejinha (RS), Jonas Felipe Bender, de 37 anos, conta que a enchente destruiu 70% da cidade; temporais já deixaram 85 mortos e 134 desaparecidos em todo o estado

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Após o nível do rio baixar, moradores de Igrejinha (RS) contabilizam os prejuízos • Imagens cedidas à Itatiaia

O agricultor Jonas Felipe Bender, de 37 anos, perdeu toda a plantação de hortaliças com as fortes chuvas que atingem o Rio Grande do Sul. Morador de Igrejinha, cidade a pouco mais de 30 quilômetros de Gramado, o gaúcho conta que a enchente destruiu 70% da cidade.

"A cidade não é mais a mesma. É uma cidade pequena, são pouco mais de 30 mil habitantes. As casas estão lá ainda, mas o que tinha dentro se perdeu. Ninguém tem mais nada, nem roupa. A cidade está irreconhecível. Lugares onde nunca se pensou que poderia chegar água, chegou. Cerca de 60%, 70% da população perdeu tudo, tudo mesmo. São bairros inteiros. Ficou a casa de pé, de resto não tem mais nada", lamentou.

Jonas conta que a cidade chegou a ficar dois dias sem nenhum mercado aberto e as farmácias foram alagadas. Agora, alguns estabelecimentos tentam se reerguer, mas ainda será preciso muito esforço para reconstruir o que foi perdido.

"O pessoal está ajudando bastante, está vindo gente de outras cidades ajudar. A gente passou dias trabalhando, tentando ajudar, mas está um caos. A gente chega nas casas e não sabe nem por onde começar. Não tem roupa, não tem móvel, não tem mais nada. A gente simplesmente está jogando tudo fora, tudo na rua. A gente vê amigos que a gente conhece a vida inteira, amigos de infância perdendo tudo. A gente tenta consolar, tenta ajudar, mas falta tudo. O estrago foi muito grande mesmo", desabafa.

Jonas conta que nem mesmo o pessoal encarregado da limpeza está dando conta de tirar toda a lama das ruas e das casas atingidas.

"A cidade está tentando se recuperar, mas falta muita coisa. Nem a limpeza está dando conta. Está um cenário de guerra. Você passa na região central e só vê caminhão, maquinha, lixo na rua. Não tem ninguém caminhando, só vê um ou dois comércios tentando voltar. Posto de saúde está fechado, o hospital acabou alagando. Estão tentando limpar para tentar voltar com os pacientes. Mas está bem difícil, bem complicado. A gente está trabalhando há dias e parece que não fez nada", explica.

Temporal no RS

As regiões mais afetadas pelas chuvas no RS são: Central, Vale do Rio Pardo, Metropolitana, Serra Gaúcha e Vale do Taquari. Quase 1 milhão de pessoas estão sem água e 424 mil sem luz.

O Rio Grande do Sul decretou estado de calamidade pública em 336 cidades. Segundo a Defesa Civil, as fortes chuvas que atingem o estado gaúcho, desde segunda-feira (29), já afetaram mais de 870 mil pessoas. De acordo com os dados mais atualizados, são 85 mortos, 134 desaparecidos e 153.824 desalojados.

A Marinha do Brasil enviou equipes, embarcações, aeronaves e viaturas para ajudar no resgate. A Força Aérea Brasileira enviou dois helicópteros para resgatar vítimas em cidades isoladas por causa das interdições nas rodovias, como Candelária, por exemplo.

Como ajudar?

Segundo as autoridades, desabrigados e desalojados que foram acolhidos pela Defesa Civil precisam não só de alimentos, como também de colchões, roupas de cama e banho e também cobertores. Quem mora na região de Porto Alegre pode contribuir presencialmente no Centro Logístico da Defesa Civil Estadual (avenida Joaquim Porto Villanova, 101, bairro Jardim Carvalho, Porto Alegre).

Além de receber doações de vários itens, as autoridades permitem a doação de qualquer tipo de valor em dinheiro. Para permitir a colaboração de pessoas de outras cidades e estados, o Governo do Estado criou uma chave Pix para receber doações. Quem quiser contribuir, pode fazer um Pix para o CNPJ 92958800000138.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.

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