Cidade do MS vive emergência por chikungunya e entra em projeto piloto de vacina
Município registra alta de casos, internações e mortes, com maior impacto em comunidades indígenas e reforço de medidas de combate à doença

O Mato Grosso do Sul foi incluído em uma estratégia piloto do Ministério da Saúde para aplicação da vacina contra a chikungunya, em meio ao avanço da doença no estado. A informação foi confirmada nessa segunda-feira (30) pela Secretaria Estadual de Saúde, que destacou o município de Dourados como área prioritária, especialmente pelo impacto da doença em comunidades indígenas.
A inclusão do estado ocorreu após solicitação formal ao ministério, motivada pelo cenário epidemiológico local. Segundo a secretaria, o estado já havia estruturado uma resposta técnica antes mesmo da confirmação do envio das doses. A vacinação terá início pela população indígena, com capacitação específica de profissionais que atuam nesses territórios. Equipes do Ministério da Saúde e do Instituto Butantan também participarão do treinamento.
A vacina contra a chikungunya foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e está na fase 4 de monitoramento, que avalia a efetividade em condições reais. No país, o uso do imunizante ainda é restrito e ocorre de forma controlada em municípios selecionados, com possibilidade de ampliação gradual no Sistema Único de Saúde (SUS).
O envio das doses ocorre em um momento crítico para Dourados. Portaria publicada nesta segunda-feira (30) no Diário Oficial da União reconhece situação de emergência em saúde pública no município devido ao aumento de doenças infecciosas virais, incluindo a chikungunya. Na última sexta-feira (27), o prefeito Marçal Filho já havia decretado emergência em áreas afetadas pela epidemia.
Dados do boletim epidemiológico mais recente mostram a gravidade da situação. Na área urbana de Dourados, há 1.455 casos prováveis, 785 confirmados, 900 em investigação e 39 internações. Já na Reserva Indígena, foram registrados 1.168 casos prováveis, 629 confirmados, 539 em investigação, além de 7 internações, 428 atendimentos hospitalares e 5 mortes.
Com o reconhecimento da emergência, a prefeitura poderá intensificar as ações de combate à doença, com mobilização de órgãos municipais, apoio da Defesa Civil e possibilidade de convocação de voluntários e arrecadação de recursos. O decreto também autoriza medidas excepcionais, como entrada forçada em imóveis em situações de risco iminente, para conter a disseminação do vírus.
Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue, a chikungunya é uma arbovirose que provoca, principalmente, dores articulares intensas e incapacitantes, podendo evoluir para quadros graves e até morte. O avanço da doença em Dourados, sobretudo em territórios indígenas, acendeu o alerta das autoridades e motivou a adoção de medidas emergenciais e o reforço na estratégia de vacinação.
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