Césio-137: irmão de Leide das Neves, símbolo do acidente, é encontrado morto
Lucimar das Neves Ferreira foi velado e enterrado neste domingo (26)

Lucimar das Neves Ferreira, irmão de Leide das Neves, símbolo da tragédia do Césio-137, foi encontrado morto aos 53 anos nesse sábado (25), em Aparecida de Goiânia, em Goiás. A causa do falecimento não foi informada. Ele tinha 14 anos quando o acidente radiológico aconteceu.
O velório ocorreu nesta manhã (26), assim como o sepultamento. Ao G1, o presidente da Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio), Marcelo Santos Neves, falou sobre a morte de Lucimar. “A gente relembra todas as mazelas que esse acidente trouxe. [...] Agora, a gente tem que dar o máximo de apoio possível porque vai ser muito dolorido, por mais que ela [a mãe de Lucimar, Lourdes das Neves] já esteja calejada com essas dores de perda da filha, agora o filho”, disse.
Os dois conviveram juntos desde o acidente ocorrido em 13 de setembro de 1987. "Eu lembro que, na época, ele não tinha onde ficar durante o dia porque estava um tumulto danado. Eu pegava ele e levava para minha casa. Eu tinha os meninos também da idade dele e punha eles para jogar videogame", destacou.
Césio-137: relembre a tragédia
- No dia 13 de setembro de 1987, dois catadores de materiais recicláveis encontraram em instalações do antigo Instituto Goiano de Radioterapia uma máquina que desconheciam ser um aparelho usado para esse tipo de tratamento;
- Os catadores levaram o material para casa e, após retirar algumas partes, venderam o que restou a um ferro-velho, de propriedade de Devair Ferreira;
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Devair, também sem saber do que se tratava, desmontou a máquina para reaproveitar o chumbo e expôs ao ambiente 19,26 gramas de cloreto de césio 137. O pó branco que emitia uma luz azulada no escuro foi exibido durante quatro dias para toda a vizinhança e, algumas pessoas, levaram amostras dele para casa. Como parte do equipamento acabou sendo vendida para outro ferro-velho, o material radioativo acabou se espalhando por uma área ainda maior.
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Não demorou para que as pessoas começassem a apresentar os primeiros sinais de que carregavam no corpo altos níveis de radiação: diarreia, náuseas, tonturas e vômito.
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As primeiras vítimas da contaminação foram a esposa do dono do ferro-velho, Maria Gabriela, que morreu no dia 23 de outubro de 1987, e sua sobrinha, a menina Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, que ingeriu pequenas quantidades de césio depois de brincar com o pó azul. A menina foi a vítima que apresentou a maior dose de radiação. Ela morreu horas depois da tia.
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49 vítimas foram levadas para o Rio de Janeiro. 21 desses pacientes passaram por tratamento intensivo e quatro morreram. No total, mais de 112 mil pessoas foram expostas aos efeitos do césio, em Goiânia.
* com informações da Agência Brasil
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